A Geely abriu um programa de venda direta no Brasil e o preço do elétrico EX2 passou a depender de quem assina o contrato. O hatch é anunciado por R$ 123.800 na versão Pro e R$ 136.800 na Max. Para pessoa jurídica, o mesmo carro sai por R$ 116.372 e R$ 128.592. Para taxistas, a Quatro Rodas apurou R$ 104.212 na configuração de R$ 123.800, uma diferença de R$ 19.588.
O programa também vale para o SUV EX5 e para a versão híbrida plug-in EM-i, onde os abatimentos para taxistas passam de R$ 40 mil.
O que muda no preço do EX2

Na venda direta o carro é faturado pela fábrica direto para o comprador, sem o concessionário no meio. Some a isso as isenções previstas em lei, como ICMS e IPI, e o preço final cai. A contrapartida é que a porta é estreita: entram pessoas jurídicas, pessoas com deficiência, taxistas e motoristas de transporte escolar. Quem não se encaixa em nenhum desses grupos continua comprando pela tabela normal.
A Geely informa que as condições já valem nas 40 concessionárias da marca no país e que há financiamento em até 36 vezes com juros de 0,99% ao mês. Para PcD o desconto é bem menor, na casa dos R$ 3 mil, e a lista se restringe a três opções: EX2 Pro, EX2 Max e EX5 EM-i Pro. O EX2 também segue dentro do Move Brasil, o programa voltado a motoristas de aplicativo.
Onde esse preço encosta no usado
É aqui que a notícia sai da concessionária e chega em quem procura um elétrico rodado. A Tabela Fipe de setembro de 2026 coloca vários elétricos usados exatamente na mesma faixa dos R$ 104 mil a R$ 116 mil da venda direta:
- BYD Dolphin Mini GS 2025: R$ 105.034
- BYD Dolphin Mini GS 2024: R$ 100.207
- BYD Dolphin EV GS 2024: R$ 116.664
- Renault Zoe Intense 2022: R$ 101.397
- GWM Ora 03 Skin 2023: R$ 116.132
Ou seja: um elétrico de um ou dois anos de uso está pedindo o mesmo dinheiro que um EX2 zero quilômetro com desconto de venda direta. Para quem tem CNPJ, é taxista ou é PcD, a conta do seminovo elétrico ficou difícil de fechar. Foi o mesmo movimento que a Autoesporte mostrou nesta semana ao reunir seis elétricos de até R$ 170 mil em um comparativo: a faixa de preço que antes era do usado agora está cheia de carro novo.
Os usados elétricos que continuam fazendo sentido
O ponto não é que elétrico usado deixou de valer a pena. É que o valor mudou de endereço: saiu do carro de um ou dois anos e foi para o que já absorveu a maior parte da desvalorização. A Fipe de setembro de 2026 mostra onde:
- JAC e-JS1 2022: R$ 72.120, e 2023: R$ 75.310
- Caoa Chery iCar EQ1 Tech 2022: R$ 74.308
- Renault Zoe Intense 2019: R$ 81.150
- Nissan Leaf 2020: R$ 90.343, e 2021: R$ 92.602
São carros que já custam metade do que custa um elétrico novo de porte parecido, e que continuam entregando o que o comprador de elétrico procura no dia a dia: rodar barato na cidade, sem embreagem, sem troca de óleo e sem fila no posto.
O que checar antes de fechar negócio
Elétrico usado tem uma checagem a mais que um carro a combustão não tem. Peça o laudo de saúde da bateria, o chamado SoH, e confirme quanto ainda resta da garantia de bateria dada pela fábrica, que é contada a partir da primeira venda e costuma ser bem mais longa que a do restante do carro. Pergunte também qual é a oficina autorizada mais perto da sua casa, porque a rede de elétricos ainda é concentrada nas capitais.
Vale olhar a marca com o mesmo cuidado. A JAC reduziu a operação no Brasil e ficou com três lojas próprias, o que não impede a compra do e-JS1 usado, mas muda o cálculo de peça e revenda mais adiante.
Onde procurar
Se o seu alvo é o elétrico de uso urbano com a depreciação já feita, os anúncios de JAC e-JS1 2022 e 2023, Nissan Leaf 2020 a 2022 e Renault Zoe 2019 a 2022 são o melhor ponto de partida. Se a prioridade é bateria e garantia mais recentes, o BYD Dolphin Mini 2024 e 2025 cobre esse pedaço, e aí a comparação com o preço de venda direta do EX2 precisa ser feita item a item, com o carro na frente.
Na hoov dá para acompanhar esses preços por ano e por versão e ver quando um anúncio sai abaixo da referência do mercado.


