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Geely EX2 no top 10: o 0km de R$ 123 mil que pressiona o seminovo

O elétrico chinês fechou julho como o nono mais vendido do país. Veja por que um 0km de R$ 123.800 empurra para baixo o preço do seminovo de 1 a 5 anos.

Em julho, o Geely EX2 emplacou 5.898 unidades e fechou o mês como o nono carro mais vendido do Brasil. Mas o número que interessa a quem vai trocar de carro é outro: R$ 123.800, o preço da versão de entrada. Um 0km elétrico nessa faixa não disputa só com outros 0km. Ele disputa com o seminovo que está no seu radar.

Foi também a primeira vez que três elétricos terminaram um mês entre os dez veículos leves mais vendidos do país: BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin e o próprio EX2.

Tem ainda um detalhe de bastidor que explica de onde o EX2 saiu. Desde novembro de 2025, a Geely é dona de 26,4% da operação da Renault no Brasil, numa sociedade que deu origem à Renault Geely do Brasil, com o grupo francês seguindo como sócio majoritário. Em julho, o carro de maior volume dessa casa foi justamente o chinês.

Se você está de olho num usado, essa história diz mais do que parece.

Geely EX2 cinza fotografado de traseira em tres quartos, no piso superior de um estacionamento aberto de concreto. O SUV eletrico compacto aparece com o teto preto em contraste, lanternas traseiras ligadas em formato de C vermelho ligadas por uma faixa escura, o nome GEELY EX2 na tampa do porta-malas e placa branca com a inscricao EX2. As rodas sao aerodinamicas em duas cores, pretas com aletas brancas. Ao fundo, colunas de concreto e o ceu nublado sobre a cidade.

Os números de julho

  • Geely EX2: 5.898 emplacamentos, sendo 5.707 no varejo. Cerca de 97% foram para o consumidor final, não para vendas diretas a frota e locadora.
  • Preço de tabela: R$ 123.800 na versão Pro e R$ 136.800 na Max.
  • Para comparar dentro da própria casa: o Renault Kwid, campeão da marca francesa no mês, fez 4.383 emplacamentos, 1.515 a menos que o EX2. O Duster ficou em 1.611.
  • No ano, a conta ainda é outra: de janeiro a julho o Kwid soma 34.960 emplacamentos contra 20.678 do EX2. O francês começou 2026 num patamar bem mais alto e o chinês só ganhou tração nos últimos meses.

Por que um 0km elétrico mexe no preço do seu usado

Guarde esses R$ 123.800, porque eles são o ponto da história.

Essa faixa de preço pousa exatamente em cima do seminovo de 1 a 5 anos. Quando um 0km com garantia integral e cara nova custa o mesmo que um SUV ou um compacto bem equipado de três anos de uso, o usado recente precisa ceder no preço para continuar fazendo sentido. Não é opinião, é aritmética de vitrine.

Isso conversa direto com o que a gente vem acompanhando: o preço do usado quase parou de subir em julho. E a pressão não cai igual em todo mundo. Ela bate com muito mais força no seminovo, que disputa cliente com o 0km, do que no carro mais velho.

O usado de sete, oito anos para cima não briga com o EX2. Ele joga outro campeonato, e joga com uma vantagem enorme: a depreciação pesada já aconteceu com o dono anterior. Um Hyundai HB20 2016 a 2019 não perde valor no ritmo de um carro que acabou de sair da loja.

Vale lembrar também que o EX2 não chegou sozinho. Ele faz parte de um movimento maior de marcas chinesas se reorganizando no Brasil, e cada nova fábrica ou nacionalização muda o preço de alguma prateleira.

E comprar um elétrico usado, vale a pena?

Aqui os dados são menos animadores do que o marketing sugere. Um levantamento do Elétricos Brasil com valores da Fipe mostrou como cada modelo se comportou em 12 meses:

  • JAC E-JS4: -37,5%
  • Renault Kwid E-Tech: -25,9%
  • BYD Seal: -23,2%
  • BYD Dolphin: -14,9%
  • BYD Dolphin Mini: -3,6%

Repare no padrão. Elétrico caro despenca, elétrico barato segura o valor. A explicação principal é a velocidade da tecnologia: bateria e software mudam rápido, e um elétrico de 2024 já nasce velho perto de um 2026 com mais autonomia pelo mesmo dinheiro. É a mesma armadilha que a gente descreveu na lição do Fiat 500e.

A tradução prática: se você quer um elétrico usado, o alvo é o modelo popular e de alto volume, tipo um BYD Dolphin 2023 ou 2024, não o sedã premium de R$ 300 mil que ninguém quer revender depois.

Um ponto a favor do EX2 daqui a alguns anos: diante da procura, a Renault Geely do Brasil antecipou a nacionalização do modelo. Carro produzido aqui costuma significar peça mais barata e rede de assistência maior, e isso ajuda o valor de revenda lá na frente.

O que checar antes de fechar num elétrico usado

  • Garantia da bateria. Costuma ser longa, mas confirme por escrito se ela transfere para o segundo dono e o que exatamente cobre.
  • Saúde da bateria (SoH). Peça o diagnóstico na concessionária da marca. É o item mais caro do carro, então não dá para confiar no olho.
  • Autonomia real contra a de catálogo. O EX2, por exemplo, tem 39,4 kWh e 289 km pelo Inmetro. No uso de estrada, com ar-condicionado, esse número cai.
  • Onde você vai carregar. Se não dá para instalar uma tomada reforçada em casa ou no trabalho, a conta muda bastante.
  • Rede de assistência na sua cidade. Marca com poucas lojas por perto vira dor de cabeça, e a gente já falou sobre o que fazer quando a marca do seu carro encolhe.

Onde isso te deixa

O recado de julho não é que você precisa comprar um elétrico. É que a chegada de carros como o EX2 está empurrando o preço do usado recente para baixo, e isso abre espaço para quem compra com calma.

Se o seu plano é gastar bem, o carro mais velho e bem escolhido continua sendo a conta que fecha melhor. Vale acompanhar as ofertas de Renault Kwid 2020 a 2023 e comparar com o que os concorrentes pedem antes de decidir. Na hoov você acompanha o preço do modelo que te interessa e recebe um alerta quando aparecer um anúncio abaixo da média do mercado.

#elétricos#mercado#usados#geely

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