A BYD levou a imprensa brasileira para a Alemanha rodar com o Dolphin G, o hatch que a marca vai produzir em Camaçari, na Bahia, e vender no Brasil até o primeiro semestre de 2027. Ele tem o nome do Dolphin, mas não tem nada do Dolphin.
O carro que está nas lojas hoje é elétrico puro. O que vem aí é híbrido plug-in, com motor 1.5 a combustão, e a versão brasileira vai ser flex. Plataforma diferente, projeto diferente, conta diferente.
Isso importa para quem está com um Dolphin usado na garagem ou olhando um para comprar. Explicamos o carro, e depois a Fipe de agosto de 2026 mostra o tamanho do estrago que dois anos já fizeram no hatch elétrico da BYD.
O que é o Dolphin G

É um hatch compacto de 4,16 metros, um pouco mais comprido que o Dolphin elétrico atual (4,12 m) e bem maior que o Dolphin Mini (3,78 m). O entre-eixos é de 2,61 m.
Na Europa ele saiu em quatro versões, de 24 mil a 31 mil euros. A BYD ainda não anunciou preço no Brasil e diz apenas que será competitivo. Estimativas de mercado apontam algo na casa dos R$ 130 mil, o que colocaria o Dolphin G entre o Dolphin Mini e o Dolphin elétrico da linha atual. Enquanto a marca não abre o número, trate isso como estimativa, não como preço.
Como funciona o híbrido DM-i

O conjunto usa a quinta geração do sistema DM-i, o mesmo do Atto 2. Um motor 1.5 aspirado de injeção direta trabalha em ciclo Atkinson, e um motor elétrico de 163 cavalos fica no eixo dianteiro.
A diferença para um híbrido comum é a hierarquia. Aqui o elétrico manda na maior parte do tempo. O motor a combustão pode ficar só gerando energia para a bateria, pode ajudar o elétrico ou pode tocar as rodas direto, dependendo da carga e do pé direito. É o mesmo princípio de motor que às vezes nem move as rodas que outras chinesas trouxeram este ano.
A versão de entrada, Active, tem bateria Blade de 7,4 kWh e 176 cavalos combinados. As demais usam 18,3 kWh e chegam a 212 cavalos. A autonomia total passa de 1.000 km nas duas, e a parte só elétrica vai de 40 km a 105 km conforme a bateria.
No teste de cerca de 100 km nos arredores de Berlim, o computador saiu marcando 1.004 km de autonomia com 90% de bateria e terminou apontando 907 km. A BYD declara 22,2 km/l rodando como híbrido e 15,9 km/kWh em modo elétrico, ambos no ciclo WLTP.
A recarga é o ponto que separa as versões. A bateria menor aceita só 3,3 kW em corrente alternada e leva cerca de 3 horas de 15% a 100%. A maior aceita 6,6 kW em alternada e 39 kW em corrente contínua, indo de 10% a 80% em cerca de 26 minutos. Se você não tem tomada em casa para carregar todo dia, a versão de entrada perde boa parte da graça.
Na versão de 212 cavalos, o hatch vai de 0 a 100 km/h em 8,3 segundos e chega a 180 km/h.
Por dentro
O painel de instrumentos é digital de 8,8 polegadas e a central multimídia vai de 10,1 a 12,8 polegadas conforme a versão. A lista traz projeção de informações no para-brisa, carregador de celular por indução, bancos com ajuste elétrico e integração nativa com aplicativos do Google.
O detalhe que a Autoesporte destacou é mais simples que isso: a BYD manteve botões físicos para modos de condução e ar-condicionado, e não inverteu os comandos dos vidros. Quem já usou um chinês recente de tela cheia sabe o quanto isso conta no dia a dia.
O acabamento mistura plásticos rígidos e superfícies macias, com montagem bem feita.
Espaço e porta-malas

São 425 litros de porta-malas, um pouco mais que os 422 litros de um Hyundai Creta. Com os bancos rebatidos, vai a 1.225 litros. Há ainda um compartimento inferior de 45 litros só para os cabos de recarga.
A cabine acomoda quatro adultos de 1,80 m sem aperto, o piso traseiro é plano e há saídas de ar dedicadas para a segunda fileira, o que ainda é raro entre os compactos.
Os pontos fracos anotados no teste foram o isolamento acústico, a suspensão seca em piso ruim nas versões com rodas aro 18 e a ausência de recarga rápida na versão de entrada.
O que a Fipe de agosto diz sobre o Dolphin usado
Aqui está o que nenhuma matéria sobre o Dolphin G conta. Levantamos a linha inteira na tabela Fipe de agosto de 2026, comparando o 0 km com o modelo 2024:
- Dolphin EV GS: R$ 147.988 zero quilômetro, R$ 118.020 no 2024. Queda de 20,3%.
- Dolphin Plus: R$ 184.774 zero quilômetro, R$ 137.192 no 2024. Queda de 25,7%.
- Dolphin Mini GS: R$ 121.024 zero quilômetro, R$ 100.255 no 2024. Queda de 17,2%.
Ou seja, o hatch elétrico da BYD perdeu entre um sexto e um quarto do valor em dois anos. Não é um número escandaloso para um carro novo qualquer, mas é bem mais rápido do que a média dos compactos a combustão do mesmo período, e ele tem um motivo extra: a linha se renova depressa e o preço do 0 km foi mexendo junto.
Se o Dolphin G chegar mesmo perto dos R$ 130 mil sendo flex, plug-in e produzido aqui, ele entra abaixo do Dolphin elétrico 0 km de hoje e quase em cima do Dolphin elétrico 2024 usado. Isso empurra a curva para baixo de novo.
O que fazer com essa informação
Se você tem um Dolphin elétrico e pensa em trocar, o calendário passa a contar. O carro que vai concorrer com ele por dentro da própria marca já tem data.
Se você está pensando em comprar um elétrico chinês usado, a leitura é outra: a desvalorização não terminou, e isso é argumento de negociação, não motivo de susto. Chegue na conversa com a Fipe do mês na mão e com a saúde da bateria verificada, que vale mais do que o hodômetro nesse tipo de carro.
Vale lembrar também que o Dolphin G não é o primeiro flex eletrificado da marca por aqui. A BYD já vende o Song Pro flex, e o movimento das chinesas em direção ao etanol é justamente o que tem sustentado o crescimento dos eletrificados no Brasil enquanto o mercado global desacelera.
Se a ideia é um hatch elétrico agora sem esperar 2027, dá para ver as ofertas de Dolphin 2023 e 2024 e também o Dolphin Mini 2024 e 2025 na busca da hoov, que reúne os anúncios de vários sites em um lugar só e avisa quando o preço de um modelo que você acompanha se mexe.


