A Chevrolet S10 Trail Boss chegou à linha 2027 como a segunda versão mais cara da picape, a R$ 341.290. O teste da Autoesporte mediu tudo o que ela faz de diferente, mas o dado mais útil para quem compra picape não está na ficha de desempenho: está na velocidade com que a S10 sai do estoque e no quanto ela custa para manter.
O que a Trail Boss entrega por R$ 341.290

A parte cara é mecânica de verdade, não adesivo. A suspensão foi desenvolvida com a australiana Ironman, com molas e amortecedores reforçados, e deixou a picape 3 cm mais alta. O ângulo de entrada subiu para 32,5 graus, um dos maiores da categoria, e os pneus são mistos Pirelli Scorpion All Terrain em rodas de 18 polegadas.
O motor é o 2.8 Duramax turbodiesel que passou por mais de 30 mudanças na reformulação de 2024, com 207 cavalos e 52 kgfm, ligado ao câmbio automático de oito marchas herdado da Colorado norte-americana. Nos testes da Autoesporte, a picape foi de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos, 1,1 segundo à frente da Toyota Hilux e 0,7 segundo atrás da Ford Ranger V6. O consumo medido ficou em 9,1 km/l na cidade e 12,6 km/l na estrada.
A caçamba segue com 1.061 litros, 1.000 kg de capacidade de carga e 750 kg de reboque, os mesmos números das outras versões da linha.
Onde a conta aperta
Por mais de R$ 340 mil, a lista de ausências incomoda: não há piloto automático adaptativo, câmera de visão 360 graus, banco do motorista elétrico nem sensor de chuva. Sensor de estacionamento só entra como acessório. O freio de mão continua sendo de alavanca, ocupando o console, e setas, luz de ré e iluminação de cabine ainda usam lâmpadas halógenas.
A tração 4x4 é do tipo temporária, sem diferencial central, o que impede o uso em asfalto seco. Ranger e Ram Dakota já oferecem o modo 4A, com distribuição eletrônica, e seletores de terreno que a S10 não tem. No espaço, o entre-eixos de 3,10 metros e o encosto traseiro muito vertical cobram o preço de um projeto que nasceu em 2012, e não há saída de ar para quem viaja atrás.
Os números que decidem a revenda
Aqui a S10 vira outra picape. O pacote das seis primeiras revisões, que cobre seis anos, custa R$ 10.312, contra R$ 11.034 da Hilux, R$ 12.949 da Mitsubishi Triton e R$ 14.064 da Ranger. São R$ 3.752 de diferença entre a mais barata e a mais cara de manter, só em revisão programada.
No giro de estoque, a S10 lidera. O indicador MDS da Indicata, citado no teste, mede quantos dias o modelo demora para ser vendido, e quanto menor, melhor: 63,4 para a S10, 67 para a Triton, 68 para a Hilux e 70 para a Ranger. Em valorização acumulada de 2026, a S10 subiu 2,5%, atrás só da Hilux, com 3,1%, e à frente de Triton (1,5%) e Ranger (0,8%). Em um ano em que o preço do usado quase parou de subir, segurar valor é notícia.
A S10 usada na tabela Fipe

É aqui que o teste vira decisão de compra. Na Fipe de setembro de 2026, a S10 LTZ 2.8 turbodiesel 4x4 cabine dupla automática, a configuração que mais se aproxima da Trail Boss em mecânica, aparece assim:
- 2025: R$ 243.351
- 2024: R$ 193.258
- 2023: R$ 176.058
- 2022: R$ 167.148
- 2021: R$ 161.743
- 2020: R$ 150.772
- 2019: R$ 144.580
- 2018: R$ 139.563
- 2017: R$ 132.583
O degrau entre o 2024 e o 2025 é de R$ 50.093, o maior salto de um ano para o outro em toda a série, e coincide com a chegada da linha reestilizada, que trouxe o motor de 207 cavalos e o câmbio de oito marchas. Antes disso, o mesmo 2.8 Duramax entregava 200 cavalos com câmbio automático de seis marchas.
Ou seja: uma S10 LTZ 4x4 automática de 2018 custa R$ 139.563 na tabela, R$ 201.727 abaixo da Trail Boss zero quilômetro. É a mesma família de motor, a mesma caçamba de 1.061 litros, a mesma tração 4x4 com reduzida e a mesma capacidade de uma tonelada. O que não vem junto é a suspensão Ironman, o câmbio de oito marchas, os 7 cavalos extras e as telas maiores.
Quem compra o quê
A Trail Boss faz sentido para quem vai usar os 32,5 graus de ângulo de entrada e a suspensão reforçada de verdade, com frequência, e quer garantia de fábrica. Para trabalho, reboque e estrada de terra ocasional, a conta muda de lado: a picape de sete ou oito anos entrega o serviço inteiro por menos de metade do valor, e ainda pega uma S10 no auge da liquidez, num momento em que a Nissan Frontier saiu de linha e reduziu as opções da categoria.
Se é esse o seu caso, vale olhar as S10 de 2017 a 2021 anunciadas na hoov e comparar com as de 2024 a 2026 antes de decidir. E se a picape for para render, o mesmo raciocínio vale para o resto da categoria: reunimos as picapes usadas para trabalhar a partir de R$ 42 mil.


