A Autoesporte listou 15 modelos que deixaram de ser vendidos no Brasil ao longo de 2026. Para quem compra usado, a pergunta que sobra é direta: o carro fica mais barato agora?
A resposta, olhando a tabela Fipe de setembro de 2026, é quase sempre não. O recém-saído de linha continua caro porque o mercado ainda o trata como novidade. O desconto de verdade está alguns anos atrás, no mesmo carro, com a mesma mecânica. Pegamos quatro dos modelos dessa lista e fomos atrás dos números.
Nissan Kicks Play

O Kicks Play chegou em fevereiro de 2025 como uma solução de transição: a Nissan manteve o Kicks antigo em linha com outro nome enquanto preparava o Kait, o sucessor repaginado. Deu certo por pouco mais de um ano. O motor era o 1.6 aspirado de 113 cavalos com câmbio CVT, o mesmo que a Nissan usa no compacto desde 2016.
Na tabela Fipe de setembro de 2026, o Kicks Play 2025 aparece a R$ 106.633 na versão Active Plus, R$ 111.410 na Sense e R$ 117.927 na Advance Plus. O último preço público do zero-quilômetro era R$ 131.590 na Sense e R$ 150.190 na Advance Plus, ou seja, o usado de um ano sai R$ 32.263 abaixo do que a versão topo custava nova.
Só que aqui vale a conta que quase ninguém faz. O Kicks Play é uma reembalagem do Kicks de sempre, e o Kicks de sempre existe usado há sete anos. Um Kicks S 2019 está em R$ 76.595 na Fipe, com o mesmo motor 1.6, o mesmo câmbio CVT e a mesma carroceria. A diferença de R$ 41.332 para o Play 2025 compra muita revisão, muito pneu e muito seguro.
Nissan Sentra

O sedã médio da Nissan saiu depois de emplacar 341 unidades no primeiro semestre de 2026. A marca falou em "ciclo de vida natural", e a substituição mais citada é o N7, sedã elétrico da parceria com a Dongfeng que já foi flagrado rodando no Brasil. Enquanto ele não chega, a Nissan fica sem sedã.
A linha 2026 tinha as versões Advance e Exclusive, entre R$ 174.490 e R$ 198.790. No usado a curva é bem mais interessante: a Fipe de setembro traz o Advance 2026 a R$ 140.114, o 2025 a R$ 128.564, o 2024 a R$ 119.118 e o 2023 a R$ 113.588. São R$ 60.902 de diferença entre o 2023 e o preço do zero-quilômetro que acabou de sair de catálogo, com o mesmo 2.0 aspirado e o mesmo pacote de itens em quase tudo.
O detalhe que importa: a queda entre 2026 e 2025 é de R$ 11.550, e entre 2024 e 2023, de apenas R$ 5.530. A depreciação forte já aconteceu. Quem entra pelo ano mais antigo pega o carro no ponto em que ele para de perder valor rápido, e é por isso que o Sentra aparece bem quando comparado ao Versa.
Mitsubishi Pajero Sport

A Mitsubishi não conseguiu adequar o SUV grande às novas regras de emissões a tempo, não lançou a linha 2026 e encerrou as vendas das últimas unidades 2025 no começo do ano. Não há previsão para a nova geração. É o caso mais duro da lista, porque o Pajero Sport não tem substituto direto no catálogo da marca.
O que ele entrega continua raro: sete lugares, tração 4x4 de verdade e motor 2.4 turbodiesel de 190 cavalos e 43,9 kgfm. A versão HPE 2025 custava R$ 349.990 e a HPE-S, R$ 379.990.
Na Fipe de setembro, a mesma HPE 2.4 diesel vai de R$ 308.096 no ano 2025 até R$ 204.037 no ano 2019, o primeiro da geração atual. São R$ 145.953 entre o exemplar mais novo e o mais antigo do mesmo carro, sem troca de geração no meio. Para quem quer um SUV 4x4 usado de verdade, essa é a ponta da faixa em que o dinheiro rende mais.
Suzuki Jimny Sierra

O Jimny Sierra saiu por um motivo técnico: o motor 1.5 a gasolina não se enquadrou nas novas normas de emissões, as importações pararam no fim de 2024 e o último lote acabou nas lojas. No lugar dele a Suzuki trouxe o e-Vitara, elétrico, que é outro carro para outro público.
Ele nunca foi um carro de números. São 108 cavalos, 14,1 kgfm, 0 a 100 km/h em 13,5 segundos e porta-malas de 85 litros. O que ele faz de diferente está embaixo: 4x4 com reduzida acionada por alavanca, 21,3 centímetros de altura livre do solo, ângulos de 38 graus de entrada e 51 de saída, e capacidade de atravessar 60 centímetros de água. O consumo declarado ao Inmetro é de 10,9 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada.
As seis versões do zero-quilômetro iam de R$ 155.990 a R$ 216.990, e no fim ele chegou a ser vendido com ágio, a R$ 162.990 na configuração de entrada. No usado a lógica se mantém: a Fipe de setembro marca R$ 171.948 para o 4Sport 2025 e R$ 148.798 para o mesmo 4Sport 2023. Dois anos de diferença custam R$ 23.150. É a menor queda desta lista, e o motivo é simples: sem importação, o estoque não se renova.
O que fazer com essa informação
Sair de linha muda três coisas na prática. A primeira é a oferta: o estoque de usados para de ser reposto, então modelos com pouca gente vendendo tendem a segurar preço, e é exatamente o que se vê no Jimny Sierra. A segunda é a rede: peça e assistência continuam existindo por anos, mas o carro deixa de ser prioridade para a marca. Quando a marca inteira vai embora, aí sim o alerta é outro, e foi o que aconteceu com o Subaru Forester quando a Subaru fechou a última loja no país, ou com os elétricos da JAC, que reduziu a operação.
A terceira é a que mais mexe no seu bolso: o carro recém-saído de linha não fica barato de um dia para o outro. Se você quer o modelo, o desconto real quase sempre está no ano mais antigo da mesma geração, não no seminovo de um ano. Foi assim no Sentra, no Pajero Sport e é assim na Frontier, que também deu adeus.
Antes de fechar negócio em qualquer um deles, confira a manutenção pendente, o histórico de revisões e a disponibilidade de peças da versão específica. Um modelo fora de linha não é um problema, mas exige uma checagem a mais.
Quer ver o que existe hoje de cada um deles no mercado? A busca da hoov reúne os anúncios em um lugar só, com o histórico de preço de cada versão.


