Se você está olhando anúncios de Jeep Compass usado nesta semana, provavelmente esbarrou na notícia da nova geração. Ela já foi apresentada na Europa, é um carro completamente diferente do que se vende aqui e corrige justamente as três reclamações mais repetidas por quem tem um Compass: espaço atrás, porta-malas e consumo. A parte que interessa para quem vai comprar usado é outra: esse carro novo não muda nada no seu ano de 2018 tão cedo.

O que a nova geração resolve
O Compass que está nas lojas brasileiras é a segunda geração, lançada aqui em setembro de 2016 e produzida em Goiana, no interior de Pernambuco. Foram mais de 500 mil unidades emplacadas, e ele chegou a ser o SUV mais vendido do país em 2017 e em 2018. Só que o projeto ficou praticamente o mesmo desde então.
A geração nova troca a plataforma, que é a base sobre a qual o carro é montado. Saiu a Small Wide 4x4 e entrou a STLA Medium, a mesma que já está embaixo do Peugeot 3008 e que vai servir também aos próximos Renegade e Commander. Na prática, o carro cresceu: 15 centímetros a mais de comprimento (4,55 metros), 8,5 centímetros a mais de largura (1,93 metro) e 16 centímetros a mais entre as rodas dianteiras e traseiras (2,80 metros).
Esse alongamento foi direto para o banco de trás. Segundo a Jeep, o espaço para as pernas na segunda fileira aumentou 5,5 centímetros. A Autoesporte, que dirigiu o carro na Espanha, confirma a diferença, com uma ressalva honesta: como a bateria fica embaixo do assoalho, o piso subiu, o banco foi montado mais baixo e quem é bem alto acaba com os joelhos mais dobrados do que gostaria.
O porta-malas é o ponto mais fácil de medir. O Compass atual leva 410 litros, número baixo para um SUV desse tamanho e a queixa clássica de quem viaja com a família. O novo leva 550 litros, com abertura elétrica pela chave.
Quanto ele custa onde já está à venda
Na Espanha, a nova geração começa na versão Altitude e-Hybrid, um híbrido leve, por 43.200 euros. Na conversão direta feita pela Autoesporte, isso dá R$ 257.472. O topo, o 4xe elétrico de 375 cavalos com tração nas quatro rodas, sai por 60.350 euros, ou R$ 359.686. Entre os dois há versões só elétricas, com autonomia declarada de 500 a 650 quilômetros no ciclo europeu.
Preço europeu não vira preço brasileiro, então o número serve para uma coisa só: mostrar em que faixa esse carro nasce.
O que vem para o Brasil, e quando
A Autoesporte apurou que, aqui, a Jeep deve trocar o motor 1.6 turbo usado lá fora pelo 1.3 turbo que já equipa o Compass brasileiro, com potência acima de 200 cavalos e capacidade de rodar com etanol. A fabricação nacional está prevista para 2028. E existe um cenário alternativo em cima da mesa: por questão de custo, a Stellantis pode manter a base atual e fazer uma reformulação profunda de visual, interior e motor em vez de trazer a plataforma nova.
Ou seja: entre hoje e 2028 são dois anos e alguns meses em que o Compass à venda no Brasil, novo ou usado, continua sendo o mesmo projeto de 2016.
O consumo, que é a reclamação número um
Vale dizer o número em vez de só chamar de gastão. Segundo o Inmetro, o Compass T270 2026, o 1.3 turbo, faz 7,3 quilômetros por litro na cidade e 8,6 na estrada com etanol. Com gasolina, sobe para 10,1 na cidade e 12,1 na estrada. É pouco para a faixa de preço, e é o que faz muita gente do segmento abastecer sempre com gasolina.
Na Europa, o motor 1.2 com sistema de 48 volts declara 17,1 quilômetros por litro, mas esse conjunto não vem para cá e a gasolina brasileira tem outra composição. O ganho real de consumo, portanto, só aparece quando o 1.3 flex de mais de 200 cavalos chegar.
O que isso muda no Compass usado hoje
Um carro que não tem substituto nacional à vista por dois anos não entra em queda livre de preço. O que ele faz é ficar previsível, e previsível é bom para quem compra.
Na Tabela Fipe de setembro de 2026, os degraus do Compass ficam assim:
- Longitude 2.0 flex 2017: R$ 84.522
- Longitude 2.0 flex 2019: R$ 90.507
- Longitude 2.0 flex 2021: R$ 99.164
- Longitude T270 1.3 turbo 2022: R$ 116.540
- Longitude T270 1.3 turbo 2024: R$ 133.436
- Longitude T270 1.3 turbo 2026: R$ 158.451
O Compass de 2017 vale hoje 53% do que vale o de 2026 na mesma versão. Nove anos separam os dois, e o carro é reconhecidamente o mesmo projeto, com o mesmo espaço interno e o mesmo porta-malas de 410 litros. A diferença grande está no motor, na multimídia e nos itens de assistência ao motorista.
Já entre o 2022 e o 2026, ambos com o 1.3 turbo, a diferença é de R$ 41.911, ou 26% em quatro anos. É a faixa em que o SUV médio brasileiro vem demorando mais para sair das lojas, o que dá espaço para negociar.
Se o seu orçamento é o do 2022 para cima, vale comparar o Compass com o resto da prateleira antes de fechar. Se o seu orçamento é o do 2017 ao 2019, aí o Compass fica interessante de verdade: já sofreu a depreciação pesada, tem rede de oficina em todo canto por causa das 500 mil unidades rodando, e o carro entrega o mesmo tamanho de quem pagou o dobro.
Para comparar preço de anúncio com a tabela, dá para olhar os Compass de 2017 a 2021 e os Compass de 2022 a 2024 lado a lado na hoov.
O que checar antes de fechar
- Câmbio automático de nove marchas (nas versões 2.0): pergunte pelo histórico de troca de óleo do câmbio. É o item que mais aparece em relato de dono.
- Corrente do comando no 2.0 flex: ouça o motor frio, sem rádio, e desconfie de barulho metálico nos primeiros segundos.
- Porta-malas: leve o carrinho de bebê ou a mala que você usa de verdade e teste. Os 410 litros são o principal motivo de arrependimento.
- Versão diesel: só compensa para quem roda muito e faz estrada. Em uso urbano, o custo de manutenção não se paga.
E se você está de olho no que a Jeep lança por aqui enquanto isso, o carro da vez é o Avenger, que é bem menor e mira outro público.
Vale esperar 2028?
Depende do que te incomoda. Se o que te trava no Compass é o banco de trás ou o porta-malas, esperar faz sentido, porque a geração nova resolve os dois de forma clara. Se você quer um SUV médio bem construído, com peça fácil e preço que já parou de cair rápido, o Compass usado de 2017 a 2019 é o degrau mais honesto da lista.
A parte chata é achar a unidade certa, com histórico limpo e no preço da tabela, antes que alguém compre. Essa parte a hoov faz por você: salve a busca do Compass no ano que te interessa e a gente te avisa quando aparecer um por perto.


