O Peugeot 3008 parou de ser vendido no Brasil em 2024, e é justamente aí que a conta fica interessante pra quem compra usado. O SUV que era o topo de linha da Peugeot hoje aparece nos classificados por valores bem distantes do que custava zero quilômetro, com teto panorâmico, couro e pacote de segurança que a maioria dos rivais da mesma faixa não tinha.
A Autoesporte listou três versões do 3008 que valem atenção entre os usados. A gente foi atrás dos dois números que faltavam na história: quanto cada uma está pedindo em relação à tabela Fipe de agosto de 2026, e o que esse motor 1.6 THP cobra de manutenção depois de alguns anos de rua.
O resultado é o oposto do que muita gente imagina. Quanto mais novo o 3008, maior o desconto em relação à tabela. Faz sentido: a desvalorização de um importado sem rede de concessionária forte acontece agora, nos exemplares de 2019 e 2022, enquanto o de 2015 já chegou no fundo do poço e praticamente parou de cair. É a mesma dinâmica que vem derrubando o preço dos SUVs médios usados nas lojas.
1. Peugeot 3008 Griffe 1.6 THP (2015)

Primeira geração já com o facelift que modernizou a frente. O 1.6 THP faz 0 a 100 km/h em 9,6 segundos, segundo teste da Autoesporte, e o Inmetro anota 8,8 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada.
Na versão Griffe, que era a topo de linha, você encontra teto panorâmico, bancos de couro, ar-condicionado digital de duas zonas, central multimídia, câmera de ré, sensores de estacionamento, controle de cruzeiro, rodas de liga leve de 17 polegadas, seis airbags e controles de estabilidade e tração. São 4,31 metros de comprimento, 2,61 m entre eixos e porta-malas de 520 litros.
Os anúncios de agosto de 2026 começam em R$ 53.900. A Fipe do mês marca R$ 54.779 pra essa configuração, ou seja, o carro está sendo negociado praticamente na tabela. Esse é o retrato de um usado que já terminou de desvalorizar: o preço não cai mais porque não tem pra onde cair.
2. Peugeot 3008 Griffe Pack 1.6 THP (2019)

A segunda geração mudou tudo. Plataforma nova, abandono do jeitão de monovolume e um interior que virou referência de acabamento no segmento. Mesmo motor, mesmo câmbio, e 0 a 100 km/h em 9,4 segundos pela medição da Autoesporte. O consumo melhorou: 9,8 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, pelo Inmetro.
A escolha da versão Griffe com o pacote Pack não é detalhe. É ela que traz o painel digital i-Cockpit de 12,3 polegadas, multimídia de 8 polegadas, chave presencial, teto panorâmico, alerta de ponto cego e, principalmente, os assistentes de condução: piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, alerta e correção de faixa, farol alto automático e leitor de placas de velocidade. Esse conjunto passou a ser oferecido a partir de 2018. O carro cresceu pra 4,44 metros, com 2,67 m entre eixos e os mesmos 520 litros de porta-malas.
Aqui o desconto aparece. Os anúncios partem de R$ 94.900 em agosto de 2026, contra R$ 106.044 na Fipe. São R$ 11.144 abaixo da tabela, cerca de 10%.
3. Peugeot 3008 GT Pack 1.6 THP (2022)

A última reestilização antes da despedida do mercado brasileiro, com a frente alinhada ao desenho mais recente da Peugeot. Mecânica idêntica, desempenho igual e consumo de 9,9 km/l na cidade e 11,9 km/l na estrada pelo Inmetro.
O que muda mesmo é a lista de equipamentos da GT Pack: faróis full LED, painel digital personalizável, multimídia de 10 polegadas, bancos dianteiros elétricos com função de massagem, teto panorâmico, carregador por indução, piloto automático adaptativo, frenagem autônoma de emergência, visão 360 graus e seis airbags.
É a versão mais completa e também a mais exposta à desvalorização. Os anúncios começam em R$ 129.900, enquanto a Fipe pede R$ 150.173. São R$ 20.273 de diferença, algo como 13% abaixo da tabela, o maior desconto das três. Nessa faixa de preço vale comparar com rivais flex como o Jeep Compass 1.3 turbo, que entrega desempenho parecido e não depende só de gasolina. Vale lembrar que esse tipo de queda concentrada nos anos mais recentes é o padrão dos carros que mais desvalorizam.
O que o 1.6 THP cobra de você
As três versões usam o mesmo motor 1.6 turbo THP, de 165 cavalos e 24,5 kgfm, sempre a gasolina e sempre com câmbio automático de seis marchas. É um motor gostoso de dirigir e com fôlego real de estrada, mas ele tem exigências que não dá pra ignorar num carro usado.
Segundo a revista O Mecânico, o plano de manutenção do 3008 pede troca de óleo sintético 0W-30 a cada 10 mil km ou um ano (são 4,25 litros), velas a cada 40 mil km, filtro de combustível a cada 20 mil km, correia de acessórios e tensor a cada 80 mil km e fluido de freio a cada dois anos. Os pontos que mais aparecem em oficina são os tubos de água em baquelite, que ressecam e trincam com o calor, a bomba de alta pressão, a membrana do PCV e os bicos da injeção direta, sensíveis a combustível ruim. O turbo raramente falha sozinho: quase sempre é consequência de óleo fora da especificação ou de revisão atrasada.
Tradução prática na hora de olhar um exemplar: peça o histórico de trocas de óleo, ligue o motor frio e escute se aparece um ruído metálico nos primeiros segundos (sinal clássico de folga no tensor da corrente), e reserve orçamento pra manutenção preventiva. Um detalhe que pega muita gente de surpresa: o freio de estacionamento é eletrônico, então até a troca das pastilhas traseiras precisa de scanner. Oficina de bairro sem equipamento não resolve.
Qual faz mais sentido
Se o objetivo é gastar pouco pra ter muito equipamento, o 2015 é o mais direto: o preço já estabilizou e você leva teto panorâmico e couro por menos que um hatch compacto novo. Se o objetivo é ter os assistentes de condução modernos, o 2019 com o pacote Pack é o melhor equilíbrio entre tecnologia e preço, e ainda vem com desconto real sobre a tabela.
O 2022 é o mais desejável e o mais arriscado do ponto de vista financeiro, porque ainda tem desvalorização pela frente. Nos três casos, a conta só fecha com um histórico de manutenção limpo e uma revisão prévia em oficina que conheça o THP. Dá pra ver os 3008 à venda por ano e faixa de preço direto na hoov, e comparar com o que a Fipe está pedindo antes de fechar negócio.


