Comprar um SUV usado de até R$ 80 mil é menos uma questão de qual é o melhor e mais uma de qual combina com a sua semana. Quem enche o porta-malas todo fim de semana e quem só vai e volta do trabalho não deveriam comprar o mesmo carro, mesmo pagando o mesmo valor.
Reunimos cinco opções de 2016 a 2019, com preços de outubro de 2026, e comparamos o que cada uma entrega de espaço, consumo e capacidade fora do asfalto. Dá para resumir assim: o bagageiro varia de 260 a 475 litros dentro da mesma faixa de preço.
Renault Duster Dynamique 1.6 2019, a partir de R$ 67.900

O Duster é o campeão de espaço desta lista e não por pouco: são 475 litros de porta-malas, volume de SUV médio num carro de 4,33 m. A distância entre eixos de 2,67 m é a maior do grupo, e isso aparece no banco de trás, onde dois adultos viajam com folga e um terceiro cabe sem drama.
O motor 1.6 de 120 cavalos com etanol e 118 com gasolina tem corrente de comando, o que evita a troca de correia a cada revisão. Em compensação, é o mais devagar aqui: 13,1 segundos de 0 a 100 km/h na versão automática, segundo teste da Autoesporte. O consumo também cobra o preço do tamanho, com 7,1 km/l na cidade com etanol e 10,3 km/l com gasolina pelo Inmetro.
O acabamento é simples e o plástico do painel é o mesmo de carros bem mais baratos da marca. Em troca, você leva 21 cm de altura livre do solo, suspensão macia e uma mecânica que qualquer oficina de bairro conhece de cor. Para quem roda em estrada de terra ou rua esburacada, é o mais tranquilo do grupo.
Na tabela Fipe de outubro de 2026, a Dynamique automática de 2019 vale R$ 67.681. Os exemplares de 2019 à venda partem de R$ 67.900, ou seja, o mercado pede praticamente o valor de tabela.
Honda HR-V EX 1.8 2016, a partir de R$ 76.900

Se o Duster vence no volume bruto, o HR-V vence no aproveitamento. São 437 litros de porta-malas em 4,29 m de comprimento, e o banco traseiro Magic Seat levanta o assento para transportar coisas altas, como uma bicicleta em pé ou um vaso de planta. Na prática, é o interior mais bem resolvido da lista.
O 1.8 aspirado entrega 139 cavalos com etanol e 140 com gasolina, com câmbio CVT. São 10,5 segundos de 0 a 100 km/h e 10,5 km/l na cidade com gasolina pelo Inmetro. A suspensão é firme, o que ajuda em curva e incomoda um pouco em piso ruim, e os 17,7 cm de altura livre pedem cuidado em terra.
Aqui está a parte que quase ninguém conta. A fama é de que o HR-V é caro de usado, e de fato ele exige dez anos de uso para caber no teto de R$ 80 mil. Só que, quando você compara com a tabela, ele é o que está mais barato: a Fipe de outubro de 2026 marca R$ 81.557 para a EX 1.8 de 2016, e as unidades 2016 anunciadas começam em R$ 76.900. São R$ 4.657 abaixo da tabela, a maior diferença deste grupo.
Nissan Kicks SL 1.6 2017, a partir de R$ 73.880
O Kicks é o meio-termo da lista. São 432 litros de porta-malas, praticamente o mesmo do HR-V, num carro de 4,29 m com 2,62 m entre eixos. O espaço para quatro adultos é confortável, sem ser o mais generoso do grupo.
Ele usa a mesma base mecânica do Duster, já que Renault e Nissan fazem parte da mesma aliança, mas com calibração diferente: 114 cavalos e 15,5 kgfm com os dois combustíveis. Por ser menor e mais leve, é mais rápido e bem mais econômico que o primo: 11,6 segundos de 0 a 100 km/h e 11,4 km/l na cidade com gasolina pelo Inmetro, o melhor número urbano desta seleção.
O câmbio CVT é o preferido do mercado e isso facilita a revenda lá na frente. A direção elétrica é leve, a suspensão tem acerto equilibrado e os 20 cm de altura livre resolvem a vida em rua ruim, embora o curso curto das molas faça o amortecedor bater o batente em buraco mais fundo.
Esse Kicks de primeira geração continua em produção com outro nome, o Kait, depois da reestilização de 2025. A Fipe de outubro de 2026 marca R$ 76.059 para a SL 2017 e os carros de 2017 anunciados partem de R$ 73.880. Vale dizer que o modelo novo vem saindo com desconto forte de fábrica, o que puxa o usado recente para baixo e deixa o de 2017 ainda mais competitivo.
Chevrolet Tracker 1.4 turbo 2018, a partir de R$ 75.900
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O Tracker dessa safra é o carro mais rápido da lista e o que menos carrega. O 1.4 turbo herdado do Cruze entrega 153 cavalos com etanol e 24,5 kgfm de torque, com câmbio automático de seis marchas, e faz 0 a 100 km/h em 9,6 segundos. Esse motor usa corrente de comando, e não a correia banhada a óleo que aparece na geração atual do modelo.
O porta-malas, porém, é de hatch: 306 litros. O entre-eixos de 2,55 m é o menor do grupo, ainda que o teto alto garanta boa altura interna para quatro adultos. É um SUV de cidade assumido, inclusive na altura livre de 16,2 cm, que desencoraja terra e lombada alta.
Em troca, é o que melhor se comporta no asfalto. A estabilidade em curva lembra a de um hatch sem endurecer o rodar, e o acabamento é um pouco mais caprichado que o da geração seguinte. O ponto de atenção é a segurança: o controle de estabilidade não equipava a linha 2018, então confira item por item no carro que você for ver.
A Fipe de outubro de 2026 marca R$ 75.179 para a LT 1.4 turbo de 2018. As unidades 2018 à venda começam em R$ 75.900, ou seja, em cima da tabela.
Jeep Renegade Sport 2.0 diesel 4x4 2017, a partir de R$ 73.900

O Renegade a diesel é o mais forte e o mais limitado desta lista ao mesmo tempo. O 2.0 turbodiesel entrega 170 cavalos e 35,7 kgfm, com câmbio automático de nove marchas e tração 4x4 com modos para lama e areia. São 10 segundos de 0 a 100 km/h e 9,4 km/l na cidade, segundo o Inmetro.
O limite está atrás: 260 litros de porta-malas, o menor do grupo e quase metade do Duster. A partir de 2018 as versões a diesel passaram a 276 litros, o que ainda é pouco. Se você carrega carrinho de bebê, mala grande ou compra de mês, esse é o detalhe que decide.
O que ele oferece em troca é raro nessa faixa. A suspensão traseira independente dá um rodar macio em piso ruim sem perder a mão em curva, os 22,4 cm de altura livre são os maiores aqui e a tração integral muda o jogo em chuva e em terra. O acabamento também é dos melhores do grupo, com painel emborrachado na parte de cima.
Vale lembrar que diesel pede disciplina de manutenção e filtro de combustível em dia, e que a revisão custa mais que a de um 1.6 flex. A Fipe de outubro de 2026 marca R$ 74.638 para a Sport 2.0 diesel 4x4 de 2017, e os exemplares de 2017 anunciados partem de R$ 73.900.
Antes de fechar negócio
Os cinco custam quase a mesma coisa, com menos de R$ 10 mil separando o mais barato do mais caro. A escolha, então, não é de preço: é de rotina. Meça o que você carrega de verdade, veja quantas vezes por mês você sai do asfalto e some o custo de manutenção ao valor da compra.
Em carro de sete a dez anos, histórico de revisão e estado de conservação pesam mais que o ano no documento. Leve o candidato a um mecânico de confiança, peça o histórico e teste o carro cheio, com gente no banco de trás, antes de decidir.


