Notícias
Mercado6 min de leituraatualizado em

Peugeot e Citroën sobem de faixa: o que muda no usado

A Stellantis vai reposicionar Peugeot e Citroën acima da Fiat. A desvalorização das duas já aparece na tabela Fipe e muda a conta de quem compra usado.

A Stellantis confirmou o que o mercado vinha desconfiando desde maio: Peugeot e Citroën vão parar de brigar pelo mesmo cliente da Fiat no Brasil. Em entrevista ao podcast CBN Autoesporte publicada na sexta (14), Herlander Zola, presidente do grupo na América do Sul, disse que as duas marcas francesas serão reposicionadas como marcas de nicho, com a gama de produtos reformulada e um lugar "imediatamente acima da Fiat".

Para quem compra carro novo, isso é um plano de médio prazo. Para quem procura usado, é informação de agora, porque a desvalorização das duas marcas já está na tabela Fipe e ela é bem maior que a da Fiat. Um Peugeot 2008 Allure 1.6 automático 2022 vale R$ 65.234 em agosto de 2026. Um Fiat Pulse 1.3 automático do mesmo ano vale R$ 85.391. São R$ 20.157 separando dois SUVs compactos que saíram da loja no mesmo período.

O que a Stellantis disse

"Peugeot e Citroën não devem, de alguma forma, ocupar o mesmo espaço que a Fiat ocupa", afirmou Zola. Segundo ele, a linha das duas vai passar por uma mudança importante apoiada em parcerias globais do grupo, com destaque para a chinesa Dongfeng, para que elas ocupem um nicho logo acima da Fiat em vez de disputar os mesmos compactos e carros de entrada.

Dois conceitos elétricos da Peugeot já aparecem como candidatos a virar produto por aqui: o Concept 6, uma perua, e o Concept 8, um SUV grande. Zola disse que os dois têm chance de chegar ao Brasil e que a base técnica da Dongfeng também pode gerar modelos feitos sob medida para o nosso mercado.

Por que as duas chegaram nesse ponto

Em maio, quando a Stellantis apresentou seu plano de produtos até 2030 para o Brasil, nem Peugeot nem Citroën apareceram no cronograma. A Autoesporte apurou na época que, entre os concessionários, a sinalização era de descontinuação gradual, com a montadora oferecendo a alguns grupos a chance de suspender a representação das duas marcas por até três anos e usar o espaço para outras marcas do grupo, como a chinesa Leapmotor.

A participação de mercado explica o desconforto. A Citroën saiu de 2,52% das vendas do país em 2010 para 1,24% em 2026. A Peugeot caiu de 2,71% para 0,72% no mesmo período. As duas renovaram a linha inteira nos últimos anos, com C3, Aircross e Basalt de um lado e as novas gerações de 208 e 2008 do outro, e mesmo assim não recuperaram terreno, agora também pressionadas pelas marcas chinesas.

O Peugeot 2008 usado é o retrato disso

Peugeot 2008 vermelho da primeira geração brasileira fotografado de trás em três quartos, rodando por uma rodovia no fim da tarde. Na tampa tráseira aparecem o emblema do leão da Peugeot, a palavra PEUGEOT e o emblema 2008, além da placa com o nome do modelo. O carro tem barras longitudinais pretas no teto, antena tipo vareta e rodas de liga leve claras, com o sol baixo e dourado iluminando a pista ao fundo.

Nada disso é abstrato para quem está procurando carro. O 2008 Allure 1.6 automático valia R$ 84.231 no ano-modelo 2024 e vale R$ 65.234 no 2022, pela Fipe de agosto de 2026. São 22,6% a menos com dois anos de diferença. O Pulse automático, no mesmo intervalo de anos, recuou 6,9%.

Isso é ruim para quem vendeu e bom para quem chega agora. Um 2008 automático entre 2020 e 2022 fica na faixa de R$ 62.021 a R$ 65.234 na tabela, e a distância para os rivais não vem de quilometragem nem de estado de conservação. Vem da fama da marca no mercado de usados, que é justamente um dos pontos que a Stellantis quer resolver com o reposicionamento.

O Citroën C3 conta a mesma história

Citroën C3 Feel 1.0 cinza, geração brasileira do hatch, visto de traseira em três quartos enquanto roda por uma estrada de asfalto ao fim da tarde. A luz dourada do sol baixo reflete na lataria; aparecem as lanternas verticais vermelhas, o logo de duplo chevron e o letreiro CITROËN na tampa traseira, o emblema C3 à direita, as barras longitudinais no teto preto e as rodas de liga leve escuras. A placa mostra apenas C3 e o fundo traz o horizonte desfocado pelo movimento.

No hatch, a conta é menor, mas aponta para o mesmo lado. O C3 Feel 1.0 vale R$ 72.793 no ano-modelo 2025 e R$ 60.854 no 2023, uma queda de 16,4%. O Argo 1.0, no mesmo intervalo, caiu 7,5%. Na prática, um C3 2023 está R$ 4.675 abaixo de um Argo 2023 na tabela, com o mesmo motor 1.0 de origem Fiat debaixo do capô.

O que checar antes de comprar

São duas coisas, e nenhuma delas é complicada.

A primeira é a rede. Se a Stellantis reduzir mesmo o número de lojas de Peugeot e Citroën nos próximos anos, revisão e garantia ficam mais distantes em algumas cidades. Vale conferir quantas concessionárias das duas marcas existem na sua região antes de fechar negócio e se há oficina independente que atenda o modelo. É o mesmo cuidado que serve para qualquer marca que encolhe a operação por aqui.

A segunda quase ninguém comenta, e joga a favor. A linha atual das duas divide motor com a Fiat: C3, Aircross e Basalt usam o 1.0 aspirado e o 1.0 turbo de 130 cavalos que também estão em Pulse, Fastback e Strada, e as versões turbo de 208 e 2008 seguem o mesmo caminho. Peça de motor desses modelos é a mesma que roda em milhares de Fiats pelo país, cenário bem diferente do dos franceses da década passada, quando quase tudo era exclusivo da marca.

Onde está o melhor negócio hoje

Se a ideia é gastar menos e ficar com o carro por bastante tempo, a faixa mais interessante não é a do seminovo. É a dos exemplares com sete a dez anos, que já passaram pela parte pesada da desvalorização. Um 208 automático de 2016 a 2018 está entre R$ 51.158 e R$ 58.391 na Fipe de agosto, e um 2008 automático do mesmo período fica entre R$ 50.612 e R$ 56.328. São carros com motor 1.6 e câmbio automático por valores parecidos com os de um Argo 1.0 manual 2020, que está em R$ 52.018.

Aqui a conta muda de figura. Você não está apostando no futuro da marca, está comprando um carro que já perdeu o que tinha para perder. A desvalorização acelerada é problema de quem compra zero quilômetro, não de quem chega depois.

Se você já sabe qual dos dois combina com a sua rotina, o que falta é achar a unidade certa antes de outra pessoa. Dá para acompanhar o modelo que você quer aqui na hoov e deixar o alerta ligado, que a gente avisa quando aparecer um dentro dos seus critérios. Qual vai ser a sua primeira busca?

#peugeot#citroen#usados#mercado

Newsletter

Fique por dentro da hoov e do mundo dos carros

Escolha os assuntos que te interessam. A gente te avisa quando tiver algo que vale a pena — sem spam.

O que você quer receber?

Ao entrar na lista, você concorda com a nossa Política de Privacidade. A gente usa seu email só pra mandar essas novidades.