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Mais vendidos de agosto: no varejo, o pódio é outro

Metade das vendas de agosto foi direta para frota. Tirando elas da conta, a Strada cai para quinto e o topo fica todo elétrico.

O mercado brasileiro emplacou 262.052 carros e comerciais leves em agosto de 2026, alta de 22% sobre agosto do ano passado e queda de 0,9% sobre julho, que teve dois dias úteis a mais. No acumulado do ano são 1.883.332 unidades, 19,3% acima de 2025.

A lista dos mais vendidos saiu com a Fiat Strada na liderança, seguida de Volkswagen Polo e Volkswagen Tera. Só que esse ranking soma duas coisas diferentes: o carro que alguém escolheu em uma loja e o carro que uma locadora comprou aos milhares. Separando as duas, o pódio de agosto é completamente outro.

Metade do mercado nem passou por uma loja

Fiat Mobi Like branco visto de tres quartos traseiro, parado no acostamento de uma estrada de asfalto com barranco de vegetacao verde ao fundo, sob luz do dia; a tampa traseira mostra o letreiro FIAT e o nome mobi, e a placa traz apenas a palavra MOBI

Das 262.052 unidades emplacadas em agosto, 129.912 foram vendas diretas, ou seja, negócios fechados fora do balcão: locadoras, frotas de empresa, produtor rural, pessoa com deficiência e taxista. Sobraram 131.722 para o varejo. É praticamente meio a meio, e essa divisão não aparece no ranking que todo mundo lê.

Quando ela aparece, muda tudo. Veja a fatia de venda direta dos dez modelos mais vendidos do mês:

ModeloTotalVenda direta% direta
Fiat Mobi5.5875.50998,6%
Hyundai HB205.3094.13177,8%
Fiat Argo8.8116.72176,3%
Volkswagen Polo10.4726.93366,2%
Fiat Strada13.7968.77263,6%
Volkswagen T-Cross6.8154.10560,2%
Volkswagen Tera10.3385.77855,9%
Chevrolet Onix7.6354.08053,4%
Hyundai Creta7.3543.59148,8%
BYD Dolphin6.74077611,5%

O caso do Mobi é o extremo: 5.587 emplacamentos no mês, dos quais 5.509 saíram em venda direta. Restaram 78 carros vendidos a pessoas físicas em lojas, no Brasil inteiro, em 31 dias. O Mobi aparece em 13º na lista geral, mas no varejo ele é o último dos quinze mais vendidos.

No varejo, o pódio é elétrico e chinês

Se você tirar as vendas diretas da conta e olhar só quem comprou em uma loja, o ranking de agosto vira outro. O BYD Dolphin lidera com 5.964 unidades, seguido do Dolphin Mini com 5.820 e do Geely EX2 com 5.489. O GWM Haval H6 vem em quarto, com 5.266. A Fiat Strada, primeira colocada geral, cai para quinto lugar com 5.024 carros vendidos no varejo.

Não é um acaso do mês. Segundo a Bright Consultoria, os eletrificados já respondem por 24,3% do mercado brasileiro e as marcas chinesas, por 23,1% das vendas totais. A consultoria cita um motivo específico para o crescimento de 19,3% no acumulado do ano: a preferência do comprador por um modelo chinês zero-quilômetro no lugar de um seminovo. É o mesmo movimento que já empurrou os elétricos para cima aqui enquanto caíam lá fora, e que fez o Dolphin virar linha própria com versão híbrida a caminho.

O que a frota faz com o preço do usado

Um carro comprado por locadora ou frota de empresa costuma voltar para o mercado entre dois e três anos depois, em lote, com quilometragem parecida e cor parecida. Isso cria concorrência entre vendedores, e concorrência entre vendedores é o que derruba preço de anúncio. Por isso os modelos de venda direta alta são justamente os que sustentam a maior oferta usada, e onde há mais espaço para negociar.

A tabela Fipe de setembro de 2026 mostra onde essa oferta se converte em desconto. O Fiat Mobi Like 1.0 está em R$ 76.775 zero-quilômetro, R$ 66.474 no ano 2026, R$ 53.348 no 2023 e R$ 44.283 no 2020. O Fiat Argo Drive 1.0 vai de R$ 93.632 no zero a R$ 64.282 no 2023 e R$ 51.757 no 2020. A Fiat Strada Freedom 1.3 cabine simples sai de R$ 118.106 no zero para R$ 80.314 no 2023 e R$ 73.645 no 2021. O Hyundai HB20 Sense 1.0 marca R$ 62.788 no 2023 e R$ 55.219 no 2020, contra R$ 90.939 do Comfort zero-quilômetro. E o Volkswagen Polo 1.0 aspirado registra R$ 70.000 no 2022 e R$ 63.258 no 2020, enquanto o 1.0 TSI zero está em R$ 108.070.

Repare no formato da curva, porque ele é o mesmo nos cinco. A maior queda isolada é a do primeiro ano: o Argo perde R$ 16.660 assim que deixa de ser zero. Depois disso a descida fica constante e lenta, cerca de R$ 4 mil a R$ 5 mil por ano. O resultado é que o carro de três anos, que é exatamente quando a frota devolve o lote ao mercado, já acumula perto de 30% de diferença para o zero-quilômetro, e o de seis anos chega a 45% no Argo. Entre o 2023 e o 2020 do Mobi a diferença é de R$ 9.065, menos do que o carro perde no primeiro ano de vida.

O que fazer com essa informação

Três leituras práticas saem daqui.

A primeira: o ranking de vendas não é uma lista de recomendação. Um carro pode estar em segundo lugar no país e ter chegado lá porque uma locadora comprou sete mil unidades. Isso diz muito sobre custo de operação e pouco sobre o que ele entrega para você.

A segunda: venda direta alta hoje é oferta usada abundante em 2028 e 2029. Mobi, Argo, HB20, Polo e Strada vão encher o mercado de usado com carros parecidos entre si, e o comprador que chegar depois vai ter poder de escolha e margem para negociar. É o inverso do que acontece com o Dolphin e o EX2, que quase não vão para frota e por isso terão um usado bem mais escasso.

A terceira, a que mexe no valor da parcela: o desconto que importa não está no seminovo de um ano. Está a partir do terceiro ano, quando a onda de frota chega, e continua rendendo até o quinto ou sexto, com a mesma mecânica e a mesma carroceria. O comportamento recente do preço do usado reforça isso, e os modelos usados mais procurados do país são, sem coincidência, os mesmos que hoje lideram a venda direta. Comparado ao ranking de julho, o desenho não mudou: muda quem está na frente, não a lógica.

Quer ver quanto cada um desses modelos está custando hoje no usado? A busca da hoov reúne os anúncios em um lugar só, com o histórico de preço por versão e por ano.

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