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Fiat 500e: o elétrico que encalhou cinco anos e ainda é 2022

O Fiat 500e segue à venda com unidades 2022 no estoque e cerca de 230 emplacamentos em cinco anos. Veja o que travou o único elétrico da Fiat.

O Fiat 500e nunca saiu do site da Fiat, mas também quase não saiu das lojas. As unidades que ainda restam no estoque brasileiro são do ano-modelo 2022, as mesmas da leva importada no lançamento, em agosto de 2021. Segundo a Quatro Rodas, são cinco anos de encalhe para o único elétrico que a marca vendeu por aqui.

Fiat 500e Icon 2022 na cor azul-petróleo, visto de trás em três quartos, rodando por uma estrada de asfalto com árvores douradas pelo sol do fim de tarde ao fundo. Na traseira aparecem o letreiro FIAT, as lanternas em formato de anel e as rodas de liga com desenho de raios finos.

O preço parou, o mercado não

O 500e Icon, versão única, custa R$ 214.990. Esse valor está congelado desde 2023 e já foi maior: no lançamento, a Fiat pedia R$ 239.990. O problema não é bem o preço em si, é o que aconteceu em volta dele. Nos anos seguintes chegou uma onda de elétricos chineses que ofereciam mais autonomia, mais espaço e mais tecnologia cobrando menos. Não foi só o número de concorrentes que cresceu, foi o tanto que cada um passou a entregar pelo mesmo dinheiro.

Enquanto isso, os elétricos seguiram crescendo no Brasil na contramão de outros mercados, e a faixa de entrada ficou especialmente disputada com nomes como o MG4 elétrico.

Os números de venda

De acordo com a ABVE, a associação que acompanha os emplacamentos de veículos elétricos, o 500e registrou 15 unidades em 2026, 3 em 2025 e 5 em 2024. Somando tudo desde a estreia, são cerca de 230 carros em cinco anos.

Como a legislação obriga a fabricante a manter no site os modelos que ainda têm estoque, ele continua lá, com a ficha de 2022 intacta.

O que o 500e entrega

Ele é pequeno de propósito: 3,63 metros de comprimento e duas portas, com o desenho arredondado que remete às gerações antigas do 500. O motor elétrico dianteiro rende 118 cavalos e 22,4 kgfm, a bateria tem 42 kWh e a autonomia é de 227 km pelo ciclo do Inmetro. A recarga aceita até 85 kW, número alto para o padrão atual, o que ajuda em paradas rápidas de estrada.

A lista de série é generosa: faróis full LED com farol alto e baixo automáticos, teto solar elétrico, seis airbags, sensor de chuva, câmera de ré, carregador de celular por indução, quadro de instrumentos de 7 polegadas e multimídia de 10,25 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Também vêm de fábrica os assistentes de condução: piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa, frenagem automática de emergência, detector de fadiga, leitura de placas de velocidade, alerta de ponto cego e assistente de estacionamento.

Ou seja, o carro não decepciona em conteúdo. O que não funcionou foi a conta em volta dele.

Por que ele não emplacou

São três fatores somados. O primeiro é o nicho: um hatch de duas portas e 3,63 metros é, para a maioria das famílias, um segundo carro. O segundo é o momento: ele chegou cedo, quando a rede de recarga ainda estava se formando. O terceiro, e talvez o mais decisivo, é que a Fiat não mexeu no preço para reagir à concorrência que se formou depois.

Vale a comparação com um caso parecido: a Peugeot preferiu encerrar a importação do e-2008 depois de vender 4 unidades em 2025. O 500e seguiu no catálogo, com o preço de 2023.

A Quatro Rodas procurou a Fiat para saber se houve novas importações depois do lançamento e se o modelo continua na linha. A marca não respondeu até a publicação da reportagem.

O que isso quer dizer para quem vai comprar

Um carro que quase ninguém compra novo tende a ser um carro que quase ninguém procura usado. E isso aparece justamente no dia em que você quer vender: menos gente interessada, menos oferta de peças, menos mecânico acostumado com aquele modelo e um preço de revenda que depende de achar o comprador certo. É a mesma lógica que faz a escolha de marca pesar no valor de revenda.

Dá para checar isso antes de fechar qualquer negócio, e não só com o 500e. Uma busca por Fiat 500e no mercado de usados mostra quantas unidades realmente circulam por aqui, e o número costuma explicar bastante coisa.

Nada disso faz do 500e um carro ruim. Ele é bem equipado, tem um desenho que envelhece bem e cumpre o que promete no uso urbano. Mas volume de vendas é uma informação tão útil quanto consumo e porta-malas na hora de escolher. Modelos com boa circulação costumam ter manutenção mais simples e revenda mais previsível, e essa conta pesa ainda mais no usado do que no zero.

Na hoov você compara carros usados de várias fontes em um lugar só e vê quantos anúncios cada modelo realmente tem antes de decidir.

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