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China obriga maçaneta mecânica e recolhe 4,3 milhões de carros

A China mandou recolher cerca de 4,3 milhões de carros por causa da maçaneta e criou uma norma nova. Veja o que muda para quem compra usado aqui.

A China acabou de mandar as montadoras recolherem cerca de 4,3 milhões de carros. O motivo não é motor, não é freio e não é airbag: é a maçaneta da porta.

Close-up da maçaneta escamoteável na porta de um Tesla prata: o puxador preto brilhante fica embutido rente à lataria, dentro de um rebaixo alongado, sem nada para puxar quando está fechado. Acima, a faixa cromada da janela e o vidro escurecido refletindo árvores; ao fundo, o asfalto de um estacionamento sob luz do fim de tarde.

A regra nova: a porta tem que abrir sem energia

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China publicou a norma GB 48001-2026, que obriga toda porta a ter abertura mecânica pelo lado de fora, funcionando sem depender de eletricidade. Por dentro, a alavanca de emergência precisa ser fácil de identificar, claramente visível e ficar a no máximo 30 cm da borda da porta. A exigência começa a valer para carros novos em 1º de janeiro de 2027. Os modelos que já estão na rua têm até 2029 para se enquadrar.

Por que a maçaneta virou caso de recall

Segundo a Autoesporte, o chamado foi motivado pela dificuldade de socorristas, e dos próprios ocupantes, de identificar a maçaneta e abrir o carro depois de um acidente. A maçaneta escamoteável, aquela que fica rente à porta e salta quando você se aproxima, depende de um motor elétrico. Se o sistema de baixa tensão se danifica na batida, ela simplesmente não sai do lugar.

A alavanca manual existe, mas fica embutida no forro da porta, quase da mesma cor do acabamento. No susto, ninguém acha. Foi essa combinação, e não uma peça quebrada, que a China resolveu atacar.

Quem entrou na lista

O recall é liderado pela Tesla, com 2.975.910 unidades chamadas, a maior parte Model Y (1.956.713) e Model 3 (973.156). Na sequência aparecem Xiaomi SU7 (390.435), Leapmotor (371.200), XPeng (264.842), Chery (68.488), Dongfeng (53.452), BAIC Arcfox (46.850) e FAW Hongqi (11.908), nos números publicados pela autoevolution. A Zeekr, marca da Geely, também está entre as chamadas.

O conserto é etiqueta e software

A correção definida lá tem duas partes. A primeira é colar dentro do carro uma etiqueta mostrando exatamente onde fica a abertura manual de cada porta. A segunda é uma atualização de software, enviada pela internet, que baixa os vidros sozinha depois de uma colisão, criando uma saída mesmo com as portas travadas.

O que muda no Brasil

O Brasil é um dos maiores importadores de carros chineses do mundo. Foram 284.878 unidades de carros e comerciais leves emplacadas até julho de 2026, alta de 146,67% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Autoesporte. E os elétricos chineses já chegaram ao topo: em julho, pela primeira vez, três elétricos apareceram entre os dez carros mais vendidos do país.

Como a mudança acontece na linha de produção na China, os modelos importados a partir do ano que vem tendem a desembarcar aqui já com a maçaneta nova. Na lista de marcas chamadas há nomes que já vendem por aqui, como Chery e Zeekr, e outros que estão chegando, como BAIC e Dongfeng.

Tem um detalhe que passa batido nessa história: o recall é do mercado chinês. Os carros que já rodam no Brasil não são alcançados por ele. Quem tem um elétrico ou híbrido com maçaneta escamoteável na garagem hoje segue com a maçaneta que saiu de fábrica.

Se o seu próximo carro é usado, faça este teste

Não precisa de ferramenta nem de mecânico. Leva menos de um minuto no test drive:

  • Com o carro desligado e travado, abra cada porta por dentro. Todas, inclusive as de trás.
  • Ache a alavanca de emergência de cada porta e repare se você acharia ela no escuro, com pressa. Foi exatamente esse ponto que gerou o recall na China.
  • Pergunte ao vendedor se o modelo recebeu a atualização que baixa os vidros depois de uma colisão.
  • Mostre onde fica a alavanca para todo mundo que dirige ou anda no carro com você.

Nada disso desqualifica um chinês eletrificado. Os híbridos chineses usados seguem entre as formas mais baratas de rodar por aqui. É só mais um item de checagem, do mesmo tipo que pneu e pastilha de freio, que passou a fazer sentido agora que esses carros começaram a aparecer em volume no mercado de usados.

Se a ideia é comprar usado, dá para acompanhar os anúncios de BYD Dolphin de 2023 a 2025 na hoov e criar um alerta que avisa quando aparecer um dentro do seu preço.

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