A Chevrolet Spin chegou à linha 2027 com uma mudança que parece detalhe e mexe justamente no que define a minivan: a versão LTZ passou a ser vendida com cinco lugares, e a terceira fileira virou opcional. Quem quiser os sete assentos garantidos de fábrica precisa subir para a Premier, que hoje só existe nessa configuração. A troca tem uma contrapartida concreta, o porta-malas salta para até 756 litros.
O movimento chama atenção porque a rival direta fez exatamente o contrário duas semanas antes. E, no meio disso, quem procura sete lugares no usado acabou ganhando uma janela clara de preço.
Chevrolet Spin 2027: cinco lugares e 756 litros

A linha 2027 mantém a mecânica intacta e mexe no mix. A tabela ficou assim: a Spin 1.8 automática de entrada custa R$ 119.990, a LT sai por R$ 138.590, a LTZ por R$ 154.090 e a Premier, de sete lugares, por R$ 165.590. LTZ e Premier estrearam rodas de liga com desenho novo, e a Premier ganhou farol alto adaptativo, aquele que apaga sozinho quando vem carro na pista contrária.
A novidade que importa é a LTZ de cinco lugares. Sem a terceira fileira, o compartimento de carga chega a 756 litros com a segunda fileira avançada, segundo a Quatro Rodas, e fica em 710 litros com os bancos recuados, porque a fila do meio corre até 5 centímetros para frente e para trás. É espaço de perua grande num carro de 4,42 metros, e explica por que a Chevrolet resolveu oferecer a opção: boa parte dos donos de Spin nunca usa os dois assentos do fundo, mas carrega bagagem, ferramenta ou caixa toda semana.
O conjunto mecânico segue o mesmo desde 2012. É o 1.8 aspirado flex de quatro cilindros, com 111 cavalos no etanol e 106 na gasolina, 17,7 kgfm de torque a 2.600 rpm e câmbio automático de seis marchas. Os dados de fábrica indicam 0 a 100 km/h em 11 segundos e máxima de 170 km/h. No consumo declarado ao Inmetro, a versão automática marca 10,1 km/l na cidade e 13 km/l na estrada com gasolina, e 7,1 e 9,1 km/l com etanol.
O resto é o de sempre, e a Quatro Rodas foi honesta ao apontar: plástico rígido nas portas e no painel, botões compartilhados com outros modelos da marca e, na versão de cinco lugares, o apoio de braço e o porta-objetos que serviam a terceira fileira continuam lá, agora sobrando dentro do porta-malas. Em compensação, a posição de dirigir alta, os 17,3 centímetros de altura livre do solo e a suspensão calibrada para rua ruim seguem sendo o motivo pelo qual a Spin virou padrão em frota, aplicativo e família grande. Ela está em linha desde 2012, longevidade que no Brasil só a Kombi levou mais longe.
Citroën Aircross 2027: o caminho contrário

Duas semanas antes, a Citroën fez o movimento inverso. O Aircross 2027 abandonou a versão de cinco lugares e passou a vender só configurações de sete: Feel 7 por R$ 124.990, Feel Pack 7 por R$ 128.990 e XTR 7 por R$ 134.990. No mesmo pacote, o 1.0 turbo caiu de até 130 para 114 cavalos.
Colocando as duas tabelas lado a lado sai a conta mais interessante do mês: a Spin LTZ de cinco lugares custa R$ 154.090, ou R$ 29.100 a mais que um Aircross que já vem com sete. A Spin devolve isso em espaço, são 756 litros contra 493 litros do francês com cinco ocupantes, e em um motor aspirado mais simples de manter. O Aircross devolve em preço e em equipamento por real gasto. São filosofias diferentes para o mesmo problema.
O que isso faz com a Spin usada
Aqui está a parte que a tabela de 0 km não conta. Na Fipe de setembro de 2026, a Spin LTZ automática 2023 aparece por R$ 78.029, pouco mais da metade do que custa a LTZ nova. A de 2024 sai por R$ 89.787, a de 2025 por R$ 109.940 e a de 2026 por R$ 134.909. Ou seja, um ano de uso na Spin custa perto de R$ 20 mil, e três anos de uso cortam mais de R$ 76 mil do preço de tabela.
Quem quer os sete lugares tem um atalho: a Activ7, versão cujo nome já anuncia a configuração, está em R$ 100.622 no ano 2024, R$ 86.310 no 2022 e R$ 73.293 no 2020. A Premier, hoje exclusivamente de sete lugares, aparece em R$ 96.246 no 2024, R$ 77.730 no 2022 e R$ 71.541 no 2020.
E tem um detalhe que só aparece quando você olha a escada inteira. A LTZ 2019 está em R$ 67.715 e a 2013, seis anos mais velha, em R$ 51.430. São R$ 16.285 de diferença para seis anos de carro, contra os R$ 20.153 que separam uma 2024 de uma 2025. A Spin perde valor rápido nos primeiros anos e depois quase estaciona, que é o comportamento clássico de um carro simples, com peça barata e demanda constante. É por isso que o degrau realmente eficiente não é o seminovo de um ou dois anos, e sim a unidade de sete ou oito anos bem cuidada. Vale conferir as Spin de 2019 a 2024 anunciadas hoje antes de decidir.
Do lado do Aircross, o mesmo raciocínio: o Aircross7 Feel 2025 está em R$ 95.887 na Fipe, R$ 29.103 abaixo do Feel 7 zero quilômetro, e o Shine 2024 em R$ 97.460. Dá para comparar os Aircross de 2024 a 2026 disponíveis na mesma faixa.
Qual faz mais sentido para você
Se você precisa de sete lugares de verdade, todo fim de semana, a decisão é entre pagar R$ 165.590 na Premier nova ou procurar uma Activ7 usada por perto de R$ 73 mil a R$ 100 mil, dependendo do ano. Se os assentos extras entram uma vez por mês, a novidade da linha 2027 faz sentido: menos banco, mais porta-malas.
E se o que você quer mesmo é espaço de carga, a Spin não é a única saída. Uma perua usada resolve o mesmo problema por bem menos, como mostra o caso da SpaceFox e seus 430 litros.
Uma última recomendação prática: a configuração de assentos da Spin mudou de ano para ano e de versão para versão. Antes de fechar negócio em qualquer unidade usada, conte os cintos de segurança no anúncio ou peça uma foto do porta-malas aberto com a terceira fileira levantada. É o jeito mais rápido de não levar para casa uma minivan de cinco lugares achando que comprou uma de sete.


