Sabe o seu segundo bem mais caro, logo depois da casa? Quase 44 milhões de brasileiros saem com ele na rua todo dia sem nenhuma rede de proteção.

Um levantamento inédito da CNseg, a confederação que reúne as seguradoras, mostra que só 29% dos carros que circulam no Brasil têm seguro. Traduzindo: de 63,3 milhões de veículos, cerca de 44 milhões rodam sem cobertura nenhuma contra roubo, furto ou batida. É quase dois terços da frota no risco.
Quem tem seguro, e quem fica de fora
O retrato surpreende. A classe C, com renda mensal de R$ 5.648 a R$ 14.120, é quem mais contrata: 41% das apólices. O detalhe é que a classe C representa 59% da população. Ou seja, mesmo liderando, é o grupo que ainda tem a maior fatia de gente desprotegida.
Na sequência vêm a classe B (24%), a D (23%), a E (7%) e a A (só 5%). Metade dos segurados tem entre 36 e 55 anos, a idade em que o carro costuma ser essencial pra trabalhar.
O recado social é simples: quem tem menos renda é quem menos consegue pagar o seguro, e é justamente quem mais sente o baque quando o carro some ou bate. Pra quem está no topo, repor um carro é chato; pra uma família apertada, pode virar uma dívida.
Por que tanta gente fica sem
A CNseg aponta três motivos: o preço da apólice, a renda curta e a ideia de que seguro é gasto secundário.
O peso no bolso é real. O seguro costuma custar de 4% a 8% do valor do carro por ano. Num usado de R$ 50 mil, isso dá algo entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por ano, ou uns R$ 200 a R$ 300 por mês que precisam caber num orçamento que já está cheio.
Tem também a parte da informação: muita gente com carro mais antigo nem enxerga o seguro como proteção do patrimônio, e acaba deixando pra depois.
O mapa da desproteção
A cobertura também é desigual pelo país. O Sudeste concentra 53% dos carros segurados, seguido por Sul (16%), Centro-Oeste (15%), Nordeste (12%) e Norte (apenas 4%). Onde a renda média é menor, o carro fica mais exposto.
E na hora de comprar um usado?
Aqui está a virada que interessa pra quem vai às compras. Segundo o estudo, 46% dos carros segurados custam até R$ 70 mil. Seguro parou de ser coisa de carro de luxo e virou item do carro de entrada.
Então, na conta do seu próximo usado, some o seguro ao preço do carro. Duas dicas que ajudam:
Modelo comum e pouco visado por ladrão costuma ter apólice mais barata que um esportivo ou um importado do mesmo preço. Carros únicos que não compartilham peças com outros carros as vezes tem apólice mais cara pois as peças são mais caras, em caso de sinistro.
Peça duas ou três cotações antes de fechar negócio, porque o valor muda bastante de carro pra carro e de cidade pra cidade.
Achar o usado certo, no preço certo, antes que ele suma do anúncio, é o pulo do gato. Se você chegou até aqui, já sabe onde procurar: monte a sua busca aqui na hoov, ative o alerta e a gente te avisa quando o carro que cabe no seu bolso, com o seguro junto, aparecer. Qual vai ser a primeira?


