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Elétricos3 min de leituraatualizado em

A bateria do elétrico usado perde 1,8% ao ano. O preço perde 9%

Estudos com milhares de elétricos apontam perda média de 1,8% de bateria por ano. Na Tabela Fipe, o preço cai perto de 9%. Essa diferença é sua.

A pergunta que mais aparece quando alguém pensa em comprar um elétrico usado é sempre a mesma: quanto essa bateria já perdeu? A resposta, hoje, é bem menos assustadora do que a fama sugere. E ela abre uma conta interessante pra quem compra usado.

A bateria perde 1,8% ao ano

A Geotab acompanhou mais de 10 mil carros elétricos em vários países e chegou a uma degradação média de 1,8% de capacidade por ano. Traduzindo para a prática: depois de cinco anos, um elétrico costuma manter entre 88% e 92% da capacidade original. Depois de dez anos, entre 77% e 82%.

Fabio Delatore, professor do Instituto Mauá de Tecnologia, resume o que se vê na rua: existem carros com alguns anos de uso e saúde de bateria ainda acima de 90%. A perda acontece, mas devagar, e boa parte dos motoristas nem percebe na autonomia do dia a dia.

O preço não acompanha a bateria

Nissan LEAF branco da geração ZE1 fotografado de três quartos traseiros, parado na beira de uma rua residencial arborizada com palmeiras e muros brancos ao fundo, sob luz forte de fim de tarde. A traseira mostra as lanternas em formato de bumerangue, o emblema da Nissan e o letreiro LEAF na tampa do porta-malas, além das rodas de liga de duas cores; a placa está em branco.

Aqui está a parte que ninguém conta. Enquanto a bateria perde perto de 2% ao ano, o preço despenca num ritmo completamente diferente. Os números são da Tabela Fipe de agosto de 2026, comparando o mesmo modelo em anos diferentes:

  • Nissan LEAF: o 2025 está em R$ 147.150. O 2020, mesmo carro cinco anos mais velho, está em R$ 90.497. Ou seja, o mais antigo guarda 61,5% do preço do mais novo.
  • Renault ZOE Intense: R$ 131.423 no 2023 contra R$ 84.094 no 2019. O mais velho guarda 64% do valor.
  • JAC e-JS1: R$ 99.149 no 2026 contra R$ 73.409 no 2022, o mais estável do trio, com 74% preservados.

Convertendo para taxa anual, esses elétricos perdem entre 7% e 11% de valor por ano. O LEAF, o exemplo mais completo da lista, perde 9,3% ao ano. É praticamente cinco vezes o ritmo em que a bateria se desgasta.

Nada disso é exclusividade do elétrico. A desvalorização puxada dos primeiros anos atinge quase todo carro novo no Brasil. A diferença é que, no elétrico, o componente mais caro do carro envelhece muito mais devagar do que a etiqueta de preço sugere.

O calor brasileiro cobra 0,4 ponto por ano

Vale o alerta, com número e tudo. Num levantamento mais recente, com 22,7 mil veículos, a Geotab mediu que carros rodando em regiões quentes se degradam cerca de 0,4 ponto percentual a mais por ano do que os de clima ameno. Num país tropical, isso pesa.

O que segura esse efeito é o gerenciamento térmico. Baterias com refrigeração líquida controlam melhor a temperatura durante a rodagem e a recarga. Na hora de olhar um elétrico usado no Brasil, esse é um item que merece pergunta direta ao vendedor.

O que isso muda pra quem compra usado

Se o preço cai cinco vezes mais rápido que a capacidade da bateria, o carro com alguns anos de estrada é onde a conta fica boa. Você paga por uma desvalorização que já aconteceu e leva um pacote de bateria que ainda entrega quase tudo que entregava.

O que dá pra fazer com isso:

Antes de fechar, peça o relatório de saúde da bateria e pergunte como o carro era recarregado. Quem tem tomada em casa e recarrega em corrente alternada preserva mais a bateria do que quem vive de carregador rápido.

Na busca da hoov dá pra filtrar esses modelos por ano e ver, lado a lado, o que o mercado está pedindo de verdade em cada geração.

#elétricos#usados#bateria#fipe

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