O Captiva voltou ao Brasil como SUV 100% elétrico, derivado do Wuling Starlight. Mas o Captiva que interessa a quem está comprando usado é o antigo, o mexicano que chegou em 2008, vendia mais de mil unidades por mês e chegou a ter fila de espera e ágio, com a versão topo passando de R$ 90 mil na época.
Hoje ele está em três versões bem distintas no mercado de usados, e a diferença entre elas não é só motor. É a Fipe, o IPVA e o quanto cada uma bebe. Levantamos as três com a Fipe de outubro de 2026 ao lado dos preços praticados neste mês.
Em tamanho, qualquer uma delas entrega 4,57 m de comprimento, 2,70 m entre eixos e 383 litros de porta-malas, com cinco lugares.
Captiva Sport 3.6 V6 4x4 2009

O primeiro Captiva vendido aqui tinha o V6 3.6 de 261 cv e 32,9 kgfm, e cravou 0 a 100 km/h em 8,8 segundos na pista da Autoesporte. A tração integral (AWD) entra sob demanda, e o pacote de série já vinha com teto solar elétrico, seis airbags, controles de estabilidade e tração, banco do motorista com ajuste elétrico e partida a distância pelo comando da chave.
Na Fipe de outubro de 2026 ele está em R$ 30.724. Nos preços praticados em outubro de 2026, unidades 2008 a 2010 aparecem a partir de R$ 32.900, ou seja, o único dos três que pede acima da tabela. O IPVA em São Paulo, 4% do valor de tabela, sai por R$ 1.229 ao ano, o mais baixo da lista.
Captiva Sport 3.0 V6 AWD 2011

Em 2011 o 3.6 deu lugar ao 3.0 aspirado, o mesmo V6 que equipou o Omega, com 268 cv e 30,6 kgfm, câmbio automático de seis marchas e 0 a 100 km/h em 9,9 segundos pelo teste da Autoesporte. É a versão com mais potência da lista, e vinha com bancos dianteiros aquecidos, freio de estacionamento eletrônico, retrovisor interno fotocrômico, controle de cruzeiro e acionamento remoto do motor.
Aqui está o melhor desconto da lista: a Fipe de outubro de 2026 marca R$ 40.041, e exemplares 2011 a 2013 saem a partir de R$ 34.900. São R$ 5.141 abaixo da tabela, 13% de folga, num carro que entrega 268 cv. O IPVA paulista fica em R$ 1.602 ao ano.
Captiva Sport 2.4 2015

O 2.4 Ecotec de quatro cilindros é o oposto dos dois V6: 184 cv e 23,8 kgfm (eram 171 cv antes da revisão do motor, segundo o AutoPapo), câmbio automático de seis marchas e tração dianteira sempre. Com 1.742 kg, ele demora a engrenar e só fica solto acima dos 60 km/h, mas é o único que faz 10 km/l na cidade e 14,9 km/l na estrada. Na linha 2015 o teto solar elétrico, os faróis de máscara negra e as rodas de 18 polegadas passaram a ser de série.
A Fipe de outubro de 2026 pede R$ 55.420. Nos preços de outubro de 2026, unidades 2014 a 2017 começam em R$ 48.900, R$ 6.520 abaixo da tabela. O IPVA, porém, acompanha o valor de tabela: R$ 2.217 ao ano em São Paulo, quase o dobro do 3.6 2009.
A conta de rodar 12 mil km por ano
O Inmetro nunca publicou consumo para o Captiva, por ser importado, então vale o catálogo. Os dois V6 marcam 7,6 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada no catálogo do icarros. O 2.4 faz 10 e 14,9 km/l.
Em 12 mil km por ano, com 70% de uso urbano, o V6 queima cerca de 1.400 litros de gasolina e o 2.4 fica em 1.082 litros. A gasolina comum estava em R$ 6,53 o litro na média nacional de outubro de 2026 (ANP), o que dá R$ 9.144 por ano de combustível no V6 contra R$ 7.063 no 2.4. Diferença de R$ 2.081 por ano, R$ 173 por mês.
Somando combustível e IPVA de São Paulo, o ano fica assim:
| Versão | Combustível | IPVA | Total no ano |
|---|---|---|---|
| 3.6 V6 2009 | R$ 9.144 | R$ 1.229 | R$ 10.373 |
| 3.0 V6 2011 | R$ 9.144 | R$ 1.602 | R$ 10.746 |
| 2.4 2015 | R$ 7.063 | R$ 2.217 | R$ 9.280 |
O 2.4 2015 custa R$ 15.379 mais caro que o 3.0 V6 2011 na Fipe e economiza R$ 1.466 por ano. A diferença de compra se paga em 10 anos e meio. Contra o 3.6 2009, a distância é de R$ 24.696 e a economia cai para R$ 1.094 por ano, o que empurra o retorno para mais de 20 anos. Em outras palavras: se a escolha é pela planilha de custo anual, o IPVA come boa parte do que o 2.4 economiza no posto.
O que olhar antes de fechar
O consumo de óleo entre trocas é marca registrada tanto do 2.4 Ecotec quanto dos V6, então cheque o nível com frequência e desconfie de um carro que chega na sua mão com o nível baixo. O óleo tem que ser o da especificação da fábrica: a Revista O Mecânico documentou um Captiva 2.4 2012 que começou a fazer ruído no motor depois de uma troca fora da especificação, com falha no comando de válvulas variável, e que voltou ao normal com o lubrificante correto. Ruído no tensionador da corrente de comando é outro ponto a escutar com o motor frio.
A própria Autoesporte recomenda atenção ao histórico de manutenção, à suspensão e ao comportamento do câmbio automático, qualquer tranco ou ruído conta. E vale lembrar que peça de importado custa mais caro e às vezes demora, o que faz do histórico de revisões um item de negociação, não um detalhe.
Tem também a revenda. O AutoPapo classifica a liquidez do Captiva como complicada, e isso aparece justamente nos preços abaixo da tabela: o mercado desconta o carro na entrada e vai descontar de novo quando você quiser vender. Se a ideia é trocar em dois anos, isso pesa. Se a ideia é rodar bastante com um SUV usado espaçoso, pesa muito menos.
Qual faz mais sentido
Se você quer o V6 pelo que ele é, o 3.0 de 2011 é o melhor negócio da lista: 268 cv, tração integral e R$ 5 mil abaixo da tabela. Se o carro vai rodar na cidade todo dia, o 2.4 2015 é mais sensato, com 10 km/l e o conjunto mais novo, e o IPVA maior é o preço disso. O 3.6 2009 só compensa se aparecer perto da Fipe de verdade, porque hoje ele é o que pede mais do que vale.
Vale a mesma lógica de qualquer sedã ou SUV V6 usado: o preço de compra é a parte fácil da conta. Na hoov você filtra os três por ano e vê o que está anunciado perto de você, com o histórico na mão antes de negociar.


