A Baic estreou no Brasil em 29 de outubro com o Arcfox T1, um hatch elétrico de R$ 129.900 na versão de entrada. É a quinta maior montadora da China chegando ao mercado brasileiro pela porta dos elétricos compactos, a mesma porta por onde entraram BYD, GWM e Geely.
O carro vem com 95 cavalos, bateria de 42,3 kWh, 283 km de autonomia homologada e uma lista de equipamentos que inclui multimídia de 15,6 polegadas já na versão mais simples. E vem com uma informação que importa mais que a ficha técnica: na Tabela Fipe de outubro, um BYD Dolphin GS do ano-modelo 2026 custa R$ 129.551, praticamente o mesmo dinheiro.
Abaixo, o que o Arcfox T1 oferece, e o que esse mesmo valor compra no mercado de usados hoje.
Preços e o prazo do desconto

O Arcfox T1 chega em duas versões. A de entrada, Pro, está anunciada a R$ 129.900, e esse é um preço promocional: vale até 31 de dezembro ou até acabarem as primeiras 600 unidades, o que vier primeiro. A Max, mais equipada, custa R$ 139.900, e esse valor é o definitivo.
A pré-venda começa em 30 de outubro, pela internet, com reserva de R$ 5 mil. As entregas estão marcadas para 11 de novembro, e o lançamento nas concessionárias para o início do mês. A Baic diz que quer 50 lojas abertas no Brasil até o fim de novembro e 150 em 2027.
Vale guardar o detalhe das 600 unidades, porque ele muda a conta de quem está pensando em comprar em janeiro. Depois desse lote, o preço de entrada da marca passa a ser um número que ainda não foi anunciado, e a única referência firme na tabela é a Max de R$ 139.900.
Para dar escala: o preço de entrada do Arcfox T1 fica quase R$ 33 mil acima do de um Polo 2027, que parte de R$ 97 mil.
95 cavalos, 42,3 kWh e 283 km rodados

As duas versões usam o mesmo conjunto: um motor elétrico dianteiro de 95 cavalos e 17,8 kgfm, que leva o hatch de 0 a 100 km/h em 12,4 segundos, com máxima de 140 km/h. A bateria é de 42,3 kWh, do tipo LFP, aquela de fosfato de ferro, mais tolerante a ciclos de recarga completos.
A autonomia homologada no Inmetro é de 283 km. É o número mais baixo entre os rivais que a própria Baic lista: o Geely EX2 marca 289 km, o BYD Dolphin GS 291 km e o MG4 Urban Comfort 299 km. Em uso real, com ar-condicionado e trecho de rodovia, o padrão do segmento é ficar de 15% a 25% abaixo do homologado, o que coloca o Arcfox T1 na casa dos 210 a 240 km por carga.
Na recarga rápida em corrente contínua, aceita até 89 kW e vai de 30% a 80% em 25 minutos. Na tomada de casa, em corrente alternada, são 6,6 kW e oito horas para o ciclo completo. Ou seja, carro para quem tem onde plugar à noite.
A garantia é de 6 anos ou 150 mil km para o veículo e 8 anos ou 150 mil km para a bateria.
Painel de 15,6 polegadas e o que vem na Max

Já na versão Pro, o Arcfox T1 tem faróis e lanternas de LED, painel digital de 8,8 polegadas, multimídia de 15,6 polegadas, Apple CarPlay sem fio, espelhamento do Android com cabo, ar-condicionado automático com saída para a segunda fileira, seis airbags, controles de estabilidade e tração, sensores de ré, câmera com visão de 540 graus, piloto automático e estepe. As rodas são de 17 polegadas, de aço com calota.
A Max troca as rodas pelas de 18 polegadas e acrescenta teto panorâmico com cortina, bancos dianteiros elétricos com ventilação e aquecimento, tampa do porta-malas elétrica, sensores de estacionamento na frente e o pacote de assistências: frenagem autônoma de emergência, alerta de colisão frontal e de pedestre, piloto automático adaptativo, assistente de faixa e de congestionamento.
Os R$ 10 mil entre uma e outra compram, portanto, conforto e os itens de assistência à condução. Quem roda muito em rodovia sente a diferença do piloto adaptativo todos os dias. Quem usa o carro só na cidade dificilmente vai notar.
2,77 m de entre-eixos e 459 litros

O Arcfox T1 tem 4,34 m de comprimento, 1,86 m de largura e 1,57 m de altura. O número que chama atenção é o entre-eixos de 2,77 m, maior que o de vários SUVs médios e 7 cm acima do BYD Dolphin, que mede 2,70 m com 4,12 m de comprimento. Entre-eixos longo em carro elétrico costuma significar banco traseiro com espaço de sobra para as pernas, porque não há túnel de transmissão no assoalho.
O porta-malas é anunciado com 459 litros, mas a Baic usa um padrão de medição mais generoso que o VDA, usado pela maioria das marcas europeias, então o número não é comparável direto com a ficha de um Polo ou de um Golf. Vem com tampão de cobertura e, diferente de boa parte dos elétricos, o carro tem estepe.
É, em dimensão, um hatch grande, do tamanho de um SUV compacto, com preço de hatch premium.
O que R$ 129.900 compram em elétrico usado hoje
Aqui entra o número que a ficha técnica não mostra. Na Tabela Fipe de outubro de 2026, o BYD Dolphin GS do ano-modelo 2026 está em R$ 129.551. É R$ 349 abaixo do preço promocional do Arcfox T1 zero quilômetro.
São dois carros com os mesmos 95 cavalos. O Dolphin tem bateria um pouco maior, de 44,9 kWh, e 291 km de autonomia homologada, contra 283 km do Baic. A diferença concreta não está na ficha: está em que a BYD vende no Brasil desde 2022 e tem rede de assistência, estoque de peças e histórico de revenda, enquanto a Baic começa agora.
A tabela segue descendo conforme o ano:
| Elétrico de entrada usado | Fipe outubro/2026 |
|---|---|
| BYD Dolphin GS 2026 | R$ 129.551 |
| BYD Dolphin GS 2025 | R$ 121.374 |
| BYD Dolphin GS 2024 | R$ 117.564 |
| GWM Ora 03 Skin 2023 | R$ 114.842 |
| BYD Dolphin Mini GS 2025 | R$ 104.508 |
| BYD Dolphin Mini GS 2024 | R$ 100.189 |
Um Dolphin GS de 2024 sai por R$ 117.564, R$ 12.336 menos que o Baic zero quilômetro, com dois anos de uso e a mesma potência. Um Dolphin Mini GS de 2024 está em R$ 100.189, quase R$ 30 mil abaixo, em um carro menor mas da mesma categoria de cidade.
A curva do Ora 03 explica o risco do primeiro lote
Já existe um caso parecido rodando no Brasil, e ele tem três anos de tabela para mostrar. O GWM Ora 03 chegou como o elétrico de entrada de uma marca chinesa recém instalada aqui. A Fipe de outubro lista a versão Skin a R$ 155.169 em entrada zero quilômetro e a R$ 114.842 no ano-modelo 2023. São R$ 40.327 a menos, ou 26% do valor, em três anos.
Aplicando a mesma curva de 26% ao Arcfox T1 Pro de R$ 129.900, o carro valeria cerca de R$ 96 mil em 2029. Não é previsão, é o que aconteceu com o rival mais próximo em situação de mercado quase idêntica: marca nova no país, elétrico de entrada, rede em formação.
Isso não desqualifica o Baic. Significa que essa depreciação é parte do preço de ser o primeiro a ter o carro, e que ela é exatamente o desconto que o segundo dono recebe.
Quem leva vantagem em cada caminho
Se você quer um elétrico zero quilômetro com teto panorâmico, multimídia enorme e pacote de assistências por menos de R$ 140 mil, o Arcfox T1 Max faz isso hoje e a conta fecha. A garantia longa de bateria ajuda, e a reserva de 600 unidades no preço promocional dá urgência real a quem já decidiu.
Se o que importa é o dinheiro bem gasto, o lado usado da mesma faixa está mais interessante. O Dolphin GS de 2024, o Dolphin Mini de 2024 e o Ora 03 de 2023 entregam a mesma função de carro elétrico urbano com a depreciação mais pesada já paga por outra pessoa, e vindos de marcas que já têm rede rodando aqui.
Se você for por esse caminho, o trabalho chato é achar a unidade certa, porque anúncio bom de elétrico usado aparece e some no mesmo fim de semana. Dá para deixar a busca salva na hoov com alerta ligado e seguir com a sua vida. Qual você colocaria no filtro primeiro, o Dolphin ou o Ora 03?


