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O icarros está fechando as portas? Entenda

Anúncios PJ encerrados, de 70.876 para 1.665 anúncios do dia pra noite, e apps fora do ar. Depois da compra pela ConectCar, o icarros está fechando as portas?

A ConectCar, dona das tags de pedágio e estacionamento, comprou 100% do icarros, o portal de classificados de carros que era do Itaú. E, junto com a compra, veio uma mudança que apareceu de forma brutal nos números: em 1º de agosto de 2026, o total de anúncios ativos do icarros no Brasil caiu de 70.876 para 1.665. Uma queda de 98% em um único dia.

O motivo é o fim da operação para empresas. O que saiu do ar foram os anúncios de lojas, concessionárias, locadoras e montadoras. Ficaram só os anúncios de pessoas físicas.

E não parou nos anúncios: os aplicativos do icarros para Android e iPhone foram removidos das lojas. Somando tudo, o fim da operação para empresas, o tombo nos anúncios e os apps fora do ar, a pergunta aparece sozinha: o icarros está fechando as portas? A resposta é menos dramática do que parece, mas a plataforma encolheu de um jeito que vale entender.

Gráfico de linha dos anúncios ativos do icarros no Brasil, sem filtros, entre setembro de 2025 e agosto de 2026: parte de cerca de 224 mil, cai de forma gradual até 70.876 em 31 de julho de 2026 e despenca para 1.665 em 1º de agosto de 2026, com o logo da hoov no canto.

Total de anúncios ativos no icarros. Fonte: hoov.

O que a ConectCar comprou

A compra veio a público em 11 de junho de 2026, mas uma negociação desse tamanho não se fecha da noite para o dia. Em 1º de junho a plataforma já registro grande queda na quantidade de anúncios no ar, e as equipes do icarros já haviam sido avisadas de que o segmento de empresas ia acabar.

A ConectCar é controlada em partes iguais pelo Grupo Porto e pelo Itaú Unibanco. Até agora ela vivia da fase de uso do carro, com as tags de pedágio e estacionamento. Comprando o icarros, uma plataforma com cerca de 6 milhões de visitantes por mês, ela passa a atuar também na fase de compra do veículo. A aquisição ficou restrita ao segmento entre pessoas físicas. A parte que atendia o comércio, os planos pagos de lojas, concessionárias e locadoras, o Itaú já vinha desativando.

Por que os anúncios sumiram

O calendário explica o resto. No começo de junho, as equipes foram avisadas de que a operação voltada a empresas seria encerrada, com um prazo de cerca de 60 dias. Concessionárias, locadoras e montadoras deixariam de ser atendidas. Os anúncios seguiriam no ar durante esse período, e a cobrança dos lojistas foi sendo interrompida ao longo de julho. Passado o prazo, veio o corte final: em 1º de agosto os anúncios de empresas saíram de uma vez, e o total despencou de 70.876 (quantidade esta que já vinha reduzindo drasticamente) para apenas 1.665, compreendendo apenas os anúncios publicados por pessoas físicas.

Uma queda que já dava sinais

Para quem acompanha a oferta das plataformas de perto, o tombo de agosto não foi surpresa. O gráfico começa em setembro de 2025, com o icarros beirando 224 mil anúncios ativos, e mostra uma queda constante mês após mês. E tudo indica que essa perda de fôlego começou bem antes disso, com dados históricos apontando 265mil anúncios em maio de 2025, e mais de 300mil em 2024, segundo acompanhamento interno da hoov.

A mecânica é conhecida. Um classificado é um mercado de dois lados: de um, quem procura carro; do outro, quem anuncia. Quando a plataforma vai acumulando instabilidade e problemas técnicos, como vinha o icarros, o comprador desiste aos poucos, e sem olhos de compradores na plataforma, os vendedores também desistem de anunciar. É esse ciclo, e não só a decisão de agosto, que aparece na descida longa do gráfico. O 1º de agosto foi o ponto final oficial resultante da negociação de compra da empresa.

Os aplicativos de celular do icarros já saíram das lojas, e mesmo quem já tinha o aplicativo instalado no celular ficou sem: ao abrir, aparece uma mensagem de manutenção que empurra para o site, mas o app em si já não funciona mais.

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O icarros já era uma fatia pequena

Vale dimensionar. Mesmo antes de toda essa história, o icarros já era um player pequeno no digital: respondia por cerca de 6% dos anúncios de carro no Brasil. A liderança é da OLX, com cerca de 30%, seguida da Webmotors, com 18%. Mercado Livre, Mobiauto e Na Pista aparecem com cerca de 13% cada, num mercado bem pulverizado (distribuição citada pela Capital Aberto).

Um porém importante: esses percentuais provavelmente não levam em conta dois canais que hoje pesam muito, as páginas nichadas de venda no Instagram e o Facebook Marketplace. São focos enormes de anúncio que costumam ficar de fora desse tipo de conta, então a foto real do mercado é ainda mais fragmentada do que os números sugerem.

O que muda para quem procura um usado

A leitura honesta é simples: os carros não sumiram do mercado, eles trocaram de vitrine. Os estoques de lojas e concessionárias que saíram do icarros seguem anunciados na OLX, na Webmotors, em outros canais. Quem procura carro olhando um site só passa a enxergar menos oferta do que existe de verdade.

É por isso que faz diferença olhar o mercado inteiro, e não uma vitrine só. A hoov resolve exatamente essa dor dos consumidores e lojistas: ao invés de ter que pesquisar os mesmos carros em diversos portais, reunimos os anúncios deles em um só lugar, então uma reorganização como essa, de uma plataforma que muda de dono e de foco, não estreita o que você consegue encontrar. O carro certo continua lá fora. O trabalho é achar ele no meio de tanta fonte diferente.

Do lado da hoov, nada mudou: continuamos monitorando anúncios do icarros, com filtros e alertas. Porém, com uma oferta menor de anúncios, as chances de encontrar algo exclusivamente no icarros acaba sendo mais baixa. Resta o tempo dizer agora qual fim terá o icarros, e se vão conseguir manter os 6 milhões de visitantes mensais, tendo uma oferta tão reduzida de anunciantes.

#icarros#conectcar#mercado#classificados#usados

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