Carro de família costuma cair numa escolha chata: ou cabe tudo, ou cabe no bolso. A primeira geração do Citroën Aircross é uma das poucas saídas em que as duas coisas acontecem ao mesmo tempo, e hoje ela está numa faixa de preço que pouca gente associa a 403 litros de porta-malas.
O que é esse Aircross
Lançado no Brasil em 2010, o Aircross nasceu como uma minivan de visual aventureiro, derivada do C3 Picasso. Suspensão mais alta, molduras plásticas na carroceria e estepe preso na tampa traseira. São 4,28 metros de comprimento, 1,72 m de largura e 2,54 m entre os eixos, com 403 litros de bagageiro.
Traduzindo o que isso significa no dia a dia: é um carro curto de estacionar com espaço interno de carro grande, e com a posição de dirigir elevada que a maioria das pessoas procura num SUV. Ele não é um SUV, é uma minivan levantada, e é justamente por isso que sobra espaço onde um SUV compacto da mesma época aperta.
A geração seguinte, de 2023, mudou de categoria e virou SUV compacto, e hoje só é vendida na configuração de sete lugares. Este texto é sobre a primeira, que é a que está na faixa dos R$ 35 mil a R$ 60 mil.
Citroën Aircross GLX 1.6 manual 2012

Na Fipe de outubro de 2026, o GLX 1.6 manual 2012 está em R$ 35.790. Nos anúncios de outubro, unidades dessa configuração aparecem a partir de R$ 24.990, abaixo da tabela, o que é comum num carro dessa idade: a tabela é um termômetro de mercado, não um piso de preço.
O motor é o 1.6 flex aspirado de quatro cilindros, com 113 cavalos no etanol e 110 na gasolina, e até 15,8 kgfm de torque. O câmbio é manual de cinco marchas. Na pista da Autoesporte, o conjunto fez 0 a 100 km/h em 14 segundos. Não é rápido, e esse é o retrato honesto da versão.
O consumo estimado pela Citroën fica em 6,3 km/l na cidade e 7,5 km/l na estrada com etanol, ou 8,8 km/l e 10,5 km/l com gasolina.
Um detalhe que pesa mais do que parece: nesta fase o câmbio automático disponível era o AL4, de quatro marchas, e a opção manual tende a simplificar a manutenção. Se você está olhando essa faixa, o manual é o caminho mais tranquilo.
Equipamento de série da versão: ar-condicionado, direção hidráulica, vidros e retrovisores elétricos, computador de bordo, volante com ajuste de altura e profundidade, faróis de neblina e rodas de liga leve de 16 polegadas. Atenção a um ponto de segurança: freios ABS e os dois airbags frontais eram opcionais nessa configuração, e vinham de série só na versão de topo, a Exclusive. Dá para achar unidade equipada, mas isso precisa ser verificado carro por carro, não presumido.
Se o seu alvo é um pouco mais de desempenho, vale subir para 2015 em diante. Foi quando o modelo passou por uma reestilização que levou o motor a até 122 cavalos e 16,4 kgfm, com câmbio reescalonado, e o tempo de 0 a 100 km/h caiu para 12,4 segundos. Nessa faixa os preços partem de cerca de R$ 40 mil. Anúncios de Aircross 2011 a 2014 mostram onde está a ponta mais barata da geração.
Citroën Aircross Shine 1.6 automático 2018
Na Fipe de outubro de 2026, o Shine 1.6 automático 2018 está em R$ 57.429, e nos anúncios do mês a versão aparece a partir de R$ 49.900.
A mudança que justifica o salto de preço em relação ao 2012 é o câmbio. A linha 2018 recebeu o automático EAT6, de seis marchas, feito pela japonesa Aisin, que substituiu o AL4 de quatro marchas. Na prática: trocas mais suaves e o motor trabalhando numa rotação mais adequada em cada velocidade. O motor é o 1.6 VTi Flex Start, com 115 cavalos na gasolina e 118 no etanol, e 16,1 kgfm nos dois combustíveis. Segundo a Citroën, o 0 a 100 km/h sai em 13,1 segundos.
Pelos dados do Inmetro, faz 7,2 km/l na cidade e 8,2 km/l na estrada com etanol, ou 10,2 km/l e 11,7 km/l com gasolina.
O pacote é bem mais completo: ar-condicionado automático, direção elétrica, airbags frontais, freios ABS, sensores de estacionamento traseiros, câmera de ré, multimídia de 7 polegadas com espelhamento de celular, piloto automático convencional, bancos revestidos em couro e sensores de chuva e de luminosidade. O entre-eixos e os 403 litros de porta-malas continuam os mesmos.
Anúncios de Aircross 2016 a 2019 concentram as unidades com o câmbio Aisin.
O que checar antes de fechar
Os dois são carros com pelo menos sete anos de uso, e é aí que mora a vantagem de preço. O que pedir:
- Suspensão. Buchas, pivôs e amortecedores se desgastam com o tempo. Ouça ruído em lombada e repare se o carro fica solto em piso ondulado.
- Arrefecimento e vazamentos. Confira o sistema de arrefecimento e procure sinal de vazamento de óleo. Em motor dessa idade, é checagem básica.
- Histórico da correia dentada. Peça a nota da última troca. É um serviço com data marcada, não opcional, e descobrir que está vencido depois da compra sai caro.
- No automático de 2018. Teste as trocas com o carro frio e quente, repare em trancos e procure vazamento na caixa. Peça o histórico de manutenção do câmbio.
- Eletrônica. Em unidade muito rodada, teste tudo: vidros, travas, ar, multimídia, sensores e câmera.
Para quem esse carro faz sentido
Para quem precisa de espaço de verdade, numa altura de carroceria confortável de entrar e sair, e quer colocar nisso bem menos do que custa um SUV compacto recente. A desvalorização pesada desse Aircross já aconteceu anos atrás, e é por isso que ele rende tanto por metro quadrado de carro hoje.
O difícil não é escolher: é achar a unidade bem cuidada antes de alguém. Salva a busca do ano que te interessa aqui na hoov e deixa a gente vigiar os anúncios por você. Qual dos dois você colocaria no alerta?


