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Mercado12 de jul. de 20265 min de leitura

IPVA por peso? Veja como o resto do mundo cobra imposto de carro

O Brasil estuda cobrar o IPVA pelo peso. Veja como Japão, Alemanha, Estados Unidos e vários outros países taxam o carro, e o que isso diz pro seu bolso.

O Brasil pode mudar a forma de cobrar o IPVA, e a ideia da vez é cobrar pelo peso do carro. Boa hora para olhar o mundo: existem cinco jeitos bem diferentes de taxar um veículo, e nenhum país faz igual ao outro. Montamos o mapa.

No Brasil, hoje a conta é pelo preço

Aqui o IPVA sai do valor do carro na tabela Fipe: carro mais caro, imposto maior. A novidade é uma proposta que quer cobrar o imposto também pelo peso do veículo, ainda em tramitação na Câmara. E o resto do mundo, cobra como?

Os cinco jeitos de taxar um carro pelo mundo

Cada régua revela duas coisas: o que aquele lugar quer estimular ou punir, e qual parte da população paga mais caro no fim.

1. Pelo peso. É o caminho que o Brasil estuda, e não seria pioneiro. Na Holanda, o imposto anual (o MRB) é calculado pelo peso do carro vazio, mais o tipo de combustível e a província onde você mora. A França foi além: criou um "malus" por peso que, a partir de 2026, pega carros acima de 1,5 tonelada e cobra por quilo extra. O Japão também cobra por faixa de peso, e a Austrália faz parecido em alguns estados. O detalhe social: peso não anda junto com renda. Uma picape ou um SUV de trabalho, usados por uma família, podem pagar tanto quanto (ou mais que) um esportivo caro e leve de quem tem muito dinheiro.

2. Pelo motor. A régua aqui é o tamanho do motor, aquele número que você já conhece: 1.0, 1.6, 2.0. Quanto maior o motor, maior o imposto. É o modelo mais comum do mundo: rola na Alemanha (onde o diesel ainda paga mais que a gasolina), no Japão, na China (que isenta o elétrico), na Coreia do Sul e na Rússia, que cobra pela força do motor em cavalos. Na prática, um 1.0 paga bem menos por ano que um 3.0. No bolso, costuma pegar mais quem tem carro caro e potente, mas também morde quem comprou um carrão antigo de segunda mão só porque o motor é forte.

3. Pela emissão. É a régua que virou padrão na Europa. No Reino Unido, o imposto do primeiro ano é atrelado ao CO2 que o carro emite. A Alemanha soma uma parte por grama de CO2 acima de um piso e isenta o elétrico. A França usa o CO2 como base do seu "malus". O efeito no bolso é curioso: quem pode comprar um elétrico novo costuma pagar quase nada, enquanto quem fica com o carro velho e mais poluente acaba pagando mais.

4. Pela idade. Aqui o Japão faz o contrário do que muita gente imagina: quanto mais velho o carro, mais imposto. Veículos com 13 anos ou mais pagam uma sobretaxa (a taxa de peso sobe por volta de 15%), e sobe de novo aos 18 anos. A ideia é empurrar o carro velho para fora de circulação. O problema é que quem segura o carro velho por mais tempo costuma ser quem tem menos, então esse modelo tende a pesar mais em quem já aperta o orçamento.

5. Pelo valor (ou fixo). É o modelo mais parecido com o Brasil de hoje. Índia e México também cobram um percentual do valor do carro. Nos Estados Unidos varia de estado para estado: uns cobram uma taxa quase fixa para todo mundo (o Canadá segue mais essa linha), outros um percentual do valor (a Califórnia usa 0,65%) e outros pelo peso. Na média, o americano paga por volta de US$ 600 por ano, de menos de US$ 200 num estado a mais de US$ 2 mil em outro. Esse costuma ser o modelo mais gentil com o bolso de quem tem menos: cobrar pelo valor faz o carro caro pagar mais e o popular pagar menos. Já a taxa fixa é o oposto, porque cobra igual de todo mundo e pesa mais em quem ganha pouco.

O que isso diz pro Brasil (e pro seu bolso)

Como podemos ver, vários países utilizam não apenas uma, mas várias estratégias de taxação ao mesmo tempo, pra alinhar com o que querem estimular ou punir.

Se a cobrança por peso avançar, o Brasil entra num clube que já existe: Holanda, França e Japão. E o recado para quem compra é o mesmo nesses países. O preço da etiqueta não é o custo real do carro. Um SUV grande e pesado pode ser gostoso de ter, mas, dependendo da regra, custa mais caro para manter ano após ano, somando imposto, seguro e combustível.

E vale acompanhar um ponto no debate: mudar a régua muda quem paga a conta. Pela regra do valor, o carro caro paga mais e o popular paga menos. Somar o peso pode mexer nisso, fazendo um carro simples, porém pesado, pagar quase como um modelo bem mais caro. Não é só uma questão técnica, é sobre de que bolso sai o dinheiro.

No usado, essa conta fica ainda mais clara, porque você já compra sabendo o quanto o carro bebe e quanto custa a manutenção. Vale escolher pensando no bolso do ano que vem, não só no dia da compra.

Compre pensando no custo de manter, não só no preço

Seja qual for a regra do imposto, comprar bem é a mesma coisa em qualquer lugar: o carro certo é o que cabe no seu bolso o ano inteiro, não só no dia da compra. Se você já sabe o modelo que procura, o resto é com a hoov: é só dizer o que quer e ativar o alerta, que a gente te avisa quando o usado certo aparecer no seu preço. Qual vai ser o próximo da sua busca?

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