
Todo mês aparece um SUV elétrico chinês novo por aqui, e a pergunta é sempre a mesma: "beleza, mas quanto custa?". Dessa vez a resposta chamou atenção. O Leapmotor B10 chegou por R$ 182.990 e, com esse número, virou o SUV elétrico mais barato à venda no Brasil. Vale a pena ser o mais barato da fila? Vamos aos fatos.
Quanto custa e contra quem ele briga
O B10 é da Leapmotor, a marca chinesa que faz parte da Stellantis (a mesma dona de Fiat, Jeep e Citroën) e que já tinha trazido o SUV maior, o C10. Por enquanto ele vem importado da China numa versão única, mas a Stellantis já confirmou a montagem nacional a partir de 2027 — no seu polo industrial em Goiana, no interior de Pernambuco, a mesma fábrica que hoje produz os Jeep Compass e Commander e a Fiat Toro.
O preço é o grande trunfo. Pra você ter ideia do tamanho da diferença, segundo a Autoesporte os rivais diretos custam bem mais:
- Geely EX5 Pro: a partir de R$ 205 mil
- Omoda E5: a partir de R$ 209.990
- Chevrolet Captiva EV: a partir de R$ 199.990
Ou seja, o B10 entra abrindo uma vantagem de R$ 17 mil a R$ 27 mil sobre a concorrência. Num segmento em que quase todo mundo cobra mais de R$ 200 mil, isso pesa.
O que ele entrega
Não é um carro pequeno: são 4,51 metros de comprimento e 2,73 m de entre-eixos, o que garante um bom espaço interno. O porta-malas, de 365 litros, é o ponto fraco de espaço — fica menor que o dos rivais.
Embaixo do assoalho mora uma bateria de 56,2 kWh, que move um motor traseiro de 218 cv. No teste da Autoesporte, o B10 fez de 0 a 100 km/h em 7 segundos — rápido pra um SUV familiar.
E a autonomia, que é o que todo mundo quer saber? O Inmetro mede 288 km. Mas no teste com ar-condicionado ligado, os números reais foram melhores: cerca de 545 km rodando na cidade (onde o elétrico é mais eficiente) e 393 km na estrada. Na prática, dá pra encarar a rotina urbana com folga e ainda fazer viagem curta.
De equipamento, ele vem completo: multimídia de 14,6 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, sete airbags e um pacote de assistentes de segurança (piloto automático adaptativo, frenagem automática, alerta de faixa e câmera 360°). Traduzindo: bastante tecnologia de série pelo preço.
Nem tudo é perfeito. A Autoesporte apontou que o banco de trás fica baixo demais (a bateria no piso levanta o assoalho e sobra pouco apoio pras coxas), que a central concentra funções até demais, e que a chave por cartão NFC é pouco prática no dia a dia.
O que a guerra de preço faz com o usado
Aqui é onde a coisa fica interessante pra quem não quer, ou não pode, gastar R$ 183 mil num carro zero.
Quando um elétrico chega quebrando o piso de preço, ele empurra a revenda dos rivais mais caros pra baixo. Um Geely EX5 ou um Omoda E5 de 2024/2025 no usado passa a concorrer com um B10 zero — e o dono que quer vender precisa baixar o preço pra competir. Na prática, a briga no 0km cria oportunidade no seminovo: os elétricos chineses da safra anterior tendem a aparecer mais em conta nos classificados.
Antes de fechar num elétrico usado, três coisas valem o esforço:
- Peça o laudo de saúde da bateria (SOH). É o "estado de saúde" do pacote — quanto de capacidade original ainda resta. Um scanner em oficina especializada resolve.
- Cheque a rede de assistência da marca. Chinesa nova no Brasil às vezes tem poucas oficinas perto de você; pra elétrico isso importa mais.
- Olhe pneus e suspensão. Elétrico é pesado por causa da bateria (o B10 tem quase 1.800 kg), e esse peso desgasta esses itens mais cedo que num carro a combustão.
O B10 mostra pra onde o mercado vai: elétrico deixando de ser artigo de luxo. Mas o carro certo — no preço certo — nem sempre é o zero. Muitas vezes o melhor negócio é justamente aquele rival de um ou dois anos que a chegada do B10 empurrou pra baixo no usado.
O difícil é encontrar o seminovo certo na hora certa, antes que outra pessoa compre. Mas, se você chegou até aqui, já sabe o caminho. Basta pesquisar o SUV elétrico que você procura aqui na hoov, ativar os alertas, e nós te avisaremos sempre que aparecer um anúncio dentro dos seus critérios. Agora falta só uma decisão: qual vai ser a sua primeira busca?